Wittgenstein: a filosofia como uma composição poética

Edimar Inocencio Brigido
2015 Intuitio  
Resumo: Este trabalho pretende analisar em que sentido se dá a afirmação wittgensteiniana, que a filosofia só deveria ser escrita como uma composição poética. De acordo com Wittgenstein, os poetas são criadores de novas linguagens. Porém, o autor do Tractatus, em sua atividade filosófica, não procurou criar uma nova linguagem, antes, lutou com a linguagem a fim de superar os erros decorrentes do seu mau uso. A atividade filosófica desenvolvida por Wittgenstein, em seus últimos escritos, é uma
more » ... s escritos, é uma atividade que se dá na linguagem de todos os dias, comum a todos os homens em suas mais variadas formas de vida. Desse modo, ao comparar a filosofia com a poesia, Wittgenstein está chamando a atenção para o seu modo de fazer filosofia. Na poesia a língua ultrapassa sua função meramente comunicativa e se torna a matéria prima para a própria obra de arte. Em outras palavras, na atividade poética o esforço do poeta incide sobre a estrutura daquilo que ele pretende expressar, sobre a melhor forma de dizer. Assim, aproximação possível entre os poetas e Wittgenstein é no que tange à matriz poética, característica do pensamento wittgensteiniano, o que nos permite questionar: seria Wittgenstein um filósofo poeta? Objetivamos, portanto, averiguar, ainda que de modo inicial, em que sentido seria lícito compreender e aproximar a filosofia com o poetar. Palavras-chave: Filosofia. Poesia. Linguagem. Atividade. Wittgenstein. Abstract: This paper aims to analyze in what sense the Wittgenstein's affirmation that the philosophy should be written as a poetic composition only. According to Wittgenstein, the poets are creators of new languages. Shakespeare would be a pragmatic example of this. However, the Tractatus author, in his philosophical activity, didn't attempt to create a new language but he struggled with the language in order to overcome the mistakes derived from its improper use. The philosophical activity developed by Wittgenstein, in his last writings, is an every day language activity, common to all men in their diverse form of life. Thereby, when comparing philosophy with poetry, Wittgenstein is drawing attention to his way of dealing with philosophy. It is the same model, typical of poets, in other words, an activity of composition that requires attention and patience, as a true artistic work. In poetry, the language surpasses its merely communicative function and becomes the raw material to its own work of art. That is to say that in the poetic activity, the poet's struggle concerns about the structure of what he intends to express, about the best way of speaking. Thus, the possible approach between the poet and Wittgenstein is what concerns to the poetic matrix, characteristic of the Wittgenstein's thought, which allows us to question: would Wittgenstein be a poet philosopher? Palavras-chave: Philosophy. Poetry. Language. Activity. Wittgenstein.
doi:10.15448/1983-4012.2015.1.18613 fatcat:bgl6hvkznnfixff2plbrvyvvnm