Paisagem e Habitat

Mário Ceniquel
1992 Paisagem e Ambiente  
Os assuntos aqui colocados abrangem, na maior parte, algumas reflexões que surgiram da discussão acadêmica, que maior interesse pessoal representam para nós, centradas na conceituação da paisagem e do habitat, assim como da ação conseqüente na configuração do espaço externo. Também, em grande parte, representam ditas questões nossas dúvidas e algumas poucas certezas, que decorrem de nossa vivência e sofrimento pessoal na gestão pública, no ensino acadêmico e de convívio com uma das cidades do
more » ... ma das cidades do mundo que mais íntimo relacionamento mantém ainda hoje com o meio natural: Rio de Janeiro. Representam, também, a visão de um profissional, com formação e militância marcadamente ligadas ao projeto de edificações e ao desenho urbano, o que, em alguns momentos, permea o conteúdo do texto. SOBRE O CONCEITO DE PAISAGEM Não é de agora que sentimos que uma das maiores dificuldades que apre sentam as discussões sobre tal conceituação, é o fato da expressão "paisagem" aceitar tantas acepções, como áreas do conhecimento que por ela apresentem interesse de estudo. Ora como designação de um espaço físico, ora como referência a expressões metafóricas ou virtuais, a noção de paisagem apresenta portanto diversos sig nificados ou sentidos, dependendo da abordagem que se adote, cujo relacio namento se dificulta mais ainda quando incluirmos, aos possíveis níveis de estudo, questões relacionadas às diferentes escalas de análise. De fato, desde a escala da paisagem urbana, que por sua vez engloba outras escalas, até a escala regional, territorial, continental e até mundial, o conceito adquire matrizes diversificadas, tanto na sua leitura, como no estabeleci mento de possíveis diretrizes de intervenção. A bem da verdade, além da diversidade de abordagens setoriais, as questões de escala englobam níveis significativos e diferenciados de informação, cuja
doi:10.11606/issn.2359-5361.v0i4p89-106 fatcat:aw63tc6avvfsthklbyen6gqkqu