Uma nova realidade, a realidade de ficção

Mário Beja Santos
2017
O estilo do mundo, a vida no capitalismo de ficção", por Vicente Verdú (Fim do Século, Edições, 2008) é uma investigação espantosa, uma análise ousada e uma justificação pertinente para a nossa época, a do capitalismo de ficção. O autor dá a seguinte explicação para este conceito germinal: «O capitalismo de produção definiria o período, de finais do século XVIII até à II Guerra Mundial, durante o qual o eixo principal foram as mercadorias. A seguir, o capitalismo de consumo, da II Guerra
more » ... da II Guerra Mundial até à queda do Muro de Berlim. Finalmente, o capitalismo de ficção, surgido em começos dos anos 90 do século XX, viria enfatizar a importância teatral das pessoas. Os dois primeiros capitalismos ocupar-se-iam principalmente dos bens, do bem-estar material; o terceiro, das sensações, do bem-estar psíquico. A oferta dos dois primeiros era fornecer a realidade com artigos e serviços, ao passo que a do terceiro é articular e servir a própria realidade». Onde estamos? Primeiro, vivemos aparentemente na bonomia da diversidade, a prática desfaz essa harmonia ambiental: desaparecem idiomas, os franchisings propagam-se como bactérias para nos vestirmos da mesma maneira, seguimos os mesmos padrões para decorar as casas, arranjar jardins ou revelar fotografias, mesmo quando os distribuidores não esquecem certas particularidades locais. O respeito pelo multi-étnico é também uma ilusão, como refere o autor: «A Documenta de Kassel, o maior show de arte do mundo, 1 Professor do Ensino Superior, autor de livros e artigos nas áreas das políticas de consumidores e qualidade de vida, Técnico Superior da Direcção-Geral do Consumidor.
doi:10.25770/artc.12174 fatcat:w7q7vyprjfh6dggjo6pjnw7i2y