PSICOLOGIA RACIONAL E ANTROPOLOGIA EMPÍRICA EM KANT

Alexandre Hahn
2019 Natureza Humana  
Resumo: o presente artigo busca destacar a importância dos "Paralogismos da razão pura" para o projeto kantiano de uma antropologia empírica sistematicamente constituída, isto é, uma ciência do homem. Mais precisamente, defenderá que o principal resultado da crítica à psicologia racional (enquanto doutrina da alma) foi garantir a possibilidade lógica do "eu numênico". Isso permitiu que o homem fosse pensado como agente livre, capaz de fazer algo de si mesmo, superando sua condição de mero
more » ... dição de mero produto da natureza. Essa ideia de homem é fundamental para a antropologia kantiana, uma vez que ordena e dirige os conhecimentos empiricamente adquiridos, dando a eles unidade sistemática. Palavras-chave: psicologia racional; eu numênico; ideia de homem; antropologia empírica. Abstract: this paper aims to highlight the relevance of the "Paralogisms of pure reason" for the Kantian project of an empirical systematically designed anthropology, that is, a science of man. Particularly, I will argue that the main result of Kant's criticism of rational psychology (as a doctrine of soul) was to ensure the logical possibility of the "noumenal self". That has turned possible to conceive the man as a free acting being, capable of making something of himself, and not just as a product of nature. This idea of man is fundamental to the Kantian anthropology since it orders and directs the empirically acquired knowledge, giving it systematic unity. ministradas entre 1772 e 1796 como cursos de inverno na Universidade de Königsberg, e que resultaram na "Antropologia de um ponto de vista pragmático" (de 1798), o tema esteve presente em diversas cartas 4 , bem como em várias outras obras publicadas 5 e nos manuscritos póstumos do filósofo 6 . Alguns intérpretes chegam a defender, inspirados em célebre passagem da "Lógica" 7 , que a filosofia kantiana, no seu conjunto, constitui uma antropologia filosófica 8 . Por isso, é surpreendente que seja tratada por vários outros intérpretes, especialistas no pensamento kantiano, como um tópico periférico e secundário 9 . Aparentemente, a explicação para esse cenário reside no suposto tratamento assistemático que o tema recebeu do filósofo. Na única obra exclusivamente dedicada ao assunto, faltaria uma tese acerca da natureza humana, que responderia à questão fundamental "que é o homem?", ou seja, uma ideia da forma de um todo que conectaria sistematicamente todas as observações empiricamente coletadas. Esta é a visão de Reinhard Brandt, um dos editores do volume 25 da Academia, dedicado às "Preleções sobre antropologia". Para ele, a "Antropologia" não é organizada segundo uma ideia da A (1781) e B (1787), as referências às obras de Kant indicam volume e paginação na edição da Academia (Akademie-Ausgabe). As siglas dos títulos originais das obras referidas seguem os padrões da Kant-Studien, revista oficial da Veja especialmente as cartas enviadas a Marcus
doi:10.17648/2175-2834-v21n2-387 fatcat:gw66usr46vhk5p2mnkgy6dvhxm