O TEMPO DE IMOBILIZAÇÃO PÓS FRATURAS / CIRURGIAS E SEUS EFEITOS NA REABILITAÇÃO POST TIME FREEZE FRACTURE / SURGERIES AND ITS EFFECTS ON REHABILITATION

Patrick Dérrick, Artioli
unpublished
Apesar do avanço da Medicina melhorando tanto o tratamento con-servador como o cirúrgico, o tempo de permanência com o membro imobili-zado em casos de fraturas e pós-operatório muitas vezes continua sendo prolongado. O que acarreta em alterações a nível ósseo, articular e de teci-dos moles que dificulta a reabilitação e a melhora da função do membro por completo. Faz-se necessário que o foco da fratura seja protegido independente do tipo de tratamento adotado, tanto para evitar uma refratura
more » ... ar uma refratura (trauma ou estresse excessivo) como para possibilitar a sua consolidação, assim como os tecidos moles precisam ser protegidos após abordagem cirúrgica ou até mesmo em casos de tratamento conservador. Um conceito antigo vem sendo ignorado pelo longo tempo de imobi-lização que continua em vigor. Porém, de acordo com a lei de Wolff (KUSH-NER, 1940), que descreve que os tecidos se adaptam com a carga imposta nos mesmos, após um período (menor possível respeitando a consolidação) de proteção é de extrema importância iniciar a mobilização precoce e a ser colocada carga gradativamente no membro. O que pode ser justificado pela estimulação a produção de líquido sinovial nas articulações (diminuindo a rigidez), a manutenção do comprimento e força muscular (evitando que ocorra a diminuição de sarcômeros em série e a deposição de tecido adiposo intramuscular) e a consolidação em menor tempo (por atrair mais íons de cálcio para o foco da fratura facilitando sua absorção, efeito piezo elétrico). A mobilização e carga gradativa precoce, além de manter e melho-rar a condição do membro evita complicações como a síndrome complexa de dor regional do tipo I (SCDR Tipo I) (ARTIOLI e cols, 2011), que particular-mente presenciei três casos nos últimos dois anos, após período prolongado de imobilização devido à fratura. No último caso, ocorreu devido a fratura de úmero (diáfise) resultando no desenvolvimento desta síndrome. Alterações ósseas na região distal do rádio, ulna, ossos do carpo e metacarpos podem ser evidenciadas nas figuras 1 e 2. No caso de tecidos moles, por exemplo, já foi comprovado que quando comparado à imobilização versus carga precoce pós reconstrução do ligamento cruzado anterior, os indivíduos sofreram menor dor, lassidão e maior ativação muscular no grupo que ficou imobilização por menor período (TYLER e cols, 1998). Pode-se dizer que apesar de haver sucesso com o tratamento con-servador (imobilização por gesso ou órtese) ou com cirurgia, a super prote-ção do membro acarretará em reabilitação mais dolorosa, que na maioria das vezes não consegue atingir o mesmo grau de amplitude de movimento (ADM), força e função quando comparado ao membro contra lateral. MÉDICOS VERSUS IMOBILIZAÇÃO Acredito que na maioria das vezes a escolha do médico em optar por preservar (imobilizar) por um período maior um membro pós-fratura ou após uma cirurgia, esteja não em sua incompetência, mas na falta de confiança em entregar seu paciente a um fisioterapeuta. Há um crescente número de profissionais despreparados, geralmen-te em virtude da facilidade na graduação, tornando a desconfiança do médico em fato. No entanto, existem fisioterapeutas competentes que podem ser aliados aos médicos e que como resultado, os pacientes são os beneficiados por uma reabilitação mais rápida, eficiente e satisfatória. FISIOTERAPEUTAS VERSUS IMOBILIZAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL Ao chegar um paciente para a reabilitação pós-imobilização por fratura de cotovelo com limitação de ADM (30-45º para extensão completa), hipotrofia muscular, dor articular (podendo ocorrer em outras articulações Revista UNILUS Ensino e Pesquisa v. 9, n. 17, jul./dez. 2012
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