Movimento antiglobalização: Distinções analíticas e uma crítica a Alain Touraine

Leo Vinicius Maia Liberato
2003 Em Tese  
Este artigo foi dividido em duas partes. Na primeira realizamos uma distinção analítica de duas tendências presentes dentro do chamado "movimento antiglobalização". Na segunda parte, uma dessas tendências, a qual denominaremos resistência, nos fornece a base empírica -artigos que refletem o pensamento, o imaginário e as formas de atuação de indivíduos e grupos europeus participantes da Ação Global dos Povos (AGP) 2 -para questionarmos alguns pressupostos da definição de movimento societal de
more » ... ento societal de Touraine (1997) e por conseqüência problematizarmos o grau de apreensão -a limitação -dessa definição. A escolha da rede AGP européia deve-se, entre outras coisas, ao fato que, segundo o próprio Touraine (1997), a distinção de movimentos sociais feita por ele -movimentos societais, movimentos históricos e movimentos culturais -ganha validade particularmente nos países centrais, e portanto a problematização da definição de movimento societal e de seus pressupostos ganha maior plausibilidade se articulada a movimentos desses países. 2 A AGP é um mecanismo de coordenação de movimentos sociais, como ela própria se define, criado em fevereiro de 1998 e que tem tido uma relevante participação no chamado movimento "antiglobalização". LIBERATO, L. V. M. / EmTese, vol. 1, nº 1 (1), p. 70-86 71 Oposição e resistência à globalização De acordo com as definições e concepções referentes a movimentos sociais desenvolvidas por Touraine (1997), o chamado "movimento antimundialização", na expressão de Seoane e Taddei (2001), ou "antiglobalização", como ficou conhecido através da mídia 3 , se enquadraria como um movimento histórico. De fato, trata-se de um "movimento de movimentos", ou ainda uma confluência de movimentos. Sendo que o ponto de identificação que os une é o reconhecimento comum dos gestores (dirigentes, organismos) da situação sistêmica que eles contrapõem (embora para uns essa situação sistêmica apareça como "capitalismo" e para outros como "neoliberalismo"). Os movimentos históricos, segundo Touraine (1997), "opõem o povo às elites, aqueles que sofrem a mudança a quem as dirige" (p. 116). Em si, os movimentos históricos põem em questão uma elite (ibidem). Assim, ele observa na atualidade, sobretudo, a formação de movimentos históricos, "movimentos de defesa contra a globalização nos quais se misturam todas as forças de resistência ao novo modo de desenvolvimento econômico" (ibidem, p. 119). Contudo, pensando além do movimento zapatista, e em particular focando na Europa, onde o próprio Touraine (1997) salienta que sua distinção entre movimentos culturais,
doi:10.5007/13682 doaj:2fa563088fe34e69b83f9f9df13541f7 fatcat:v2y2pcbhh5hm3coqwnxqtbze44