Aventuras e enigmas em brinquedos informatizados

Paulo De, Salles Oliveira
2006 unpublished
RESUMO: este ensaio é reformulação de um capítulo de Brinquedo e indústria cultural (OLIVEIRA, 1986) e procura mostrar aquilo que usualmente os brinquedos eletrônicos não permitem às crianças: discutir a respeito das brincadeiras que eles propiciam. Engana-se quem os imagina divertimentos inocentes, pois ensinam às crianças como se tornar consumidoras de diversão e não produtoras dela. Além disso, trazem aspectos problemáticos-aqui levantados-que podem andar juntos ao processo de socialização
more » ... o de socialização das crianças. PALAVRAS-CHAVE: brinquedos eletrônicos; criança; indústria cultural. Trata-se aqui dos encantos e também dos percalços que podem estar vinculados ao uso de determinados brinquedos eletrônicos pelas crianças. Propõem-se um debate que remete à readaptação do corpo e dos gestos, à velocidade e aos modos de funcionamento das máquinas: máquinas de brincar. A disciplina e a obediência às seqüências de comando destes brinquedos podem gerar várias vitórias dentro dos enredos de jogos ali preparados. Envolvem habilidade e, ao mesmo tempo, docilidade de assimilar programas e pequenos truques de manuseio, sem possibilidade de um diálogo ou, muito menos, de um questionamento. Vence quem melhor se revelar adestrado, corporal e fisicamente. São brinquedos comprados no mercado custam, portanto, alguma importância em dinheiro, dessa forma, opera-se, desde logo, a divisão entre os que podem e os que não podem tê-los. Embora a propriedade de tais brinquedos seja seletiva, eles atraem indistintamente a todos os grupos sociais, sendo sua posse um signo social de diferenciação entre as pessoas. Confere aos donos razões e argumentos para definir como se fará e por quanto tempo irá transcorrer a brincadeira. No início do brincar, todos se curvam às conveniências do proprietário é ele que define onde quer jogar ou que personagem gostaria de representar no jogo ou na brincadeira. Se, por outro lado, os pais chamam para casa o menino ou a menina que são proprietários do brinquedo, forma-se um espantoso consenso: a maioria se inclina a concordar que a brincadeira 1 Professor Associado
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