Prevalência de dermatófitos na rotina de micologia em hospital particular de médio porte na cidade de Chapecó, estado de Santa Catarina, Brasil

A Schoeler, Sguissardi, Bernardi, Cembranel, Fuentefria
2010 Journal of Basic and Applied Pharmaceutical Sciences Rev Ciênc Farm Básica Apl   unpublished
RESUMO Este trabalho teve como objetivo, avaliar a prevalência no diagnóstico de dermatófitos durante o período de janeiro de 2007 à junho de 2008 no setor de micologia em hospital particular de médio porte, na cidade de Chapecó, oeste do estado de Santa Catarina. Foram coletadas 111 amostras, das quais 66 (59%) apresentaram positividade pelo exame direto e cultivo da amostra biológica. Trichophyton mentagrophytes foi o fungo isolado com maior freqüência (52%), seguido pelo dermatófito T.
more » ... ermatófito T. rubrum (17%), em contrapartida dos dados literários no sul do Brasil, que preconizam T. rubrum, seguido de Microsporum canis e do T. mentagrophytes como agentes mais comumente isolados. Considerando os sítios anatômicos analisados neste trabalho, a ocorrência foi observada em 47% em amostras de unha, 43% de pele, 7% outros e 3% mistos (pele/unha). Esse estudo evidencia a importância da recorrente análise do perfil epidemiológico dos dermatófitos nas diferentes regiões do Brasil, possibilitando uma correta conduta epidemiológica de prevenção, baseada na freqüência regional das espécies causadoras das dermatomicoses. Palavras-chave: Dermatófitos. Trichophyton mentagrophytes. Santa Catarina. O termo dermatomicose é utilizado para designar infecções fúngicas que podem ser causadas por vários agentes etiológicos, localizadas na pele, nos pêlos, nas unhas e dobras periungueais e nas mucosas. São cosmopolitas, com maior prevalência em regiões de clima quente e úmido. As dermatofitoses, por sua vez, são dermatomicoses causadas por um grupo específico de fungos, também conhecidas como tinhas ou tineas e estão entre as infecções fúngicas de localização cutânea mais comum no homem (Seebacher et al., 2008). Segundo Siqueira et al. (2006), as dermatofitoses cujos agentes etiológicos pertencem aos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton, constituem um dos grupos de infecções fúngicas mais freqüentes na prática dermatológica. Baseando-se no seu habitat, os dermatófitos podem ser caracterizados em três grupos principais: os geofílicos, os zoofílicos e os antropofílicos. Os geófilos, mais importantes clinicamente, estão presentes no solo decompondo vários detritos queratínicos, podendo ser isolados como saprófitas em pêlos de pequenos mamíferos silvestres ou domésticos (especialmente gatos), no terreno de tocas de animais silvestres, de aves ou ainda em ninhos de aves. Os representantes principais são M. gypseum e T. mentagrophytes (Seebacher et al., 2008). Os zoófilos são preferencialmente parasitas (às vezes comensais) dos animais (macacos, cavalos, cães, ovinos, gados, roedores, gatos), mas algumas vezes do homem, e temos como exemplos principais M. canis e T. mentagrophytes. Os antropófilos são formas tipicamente parasitas do homem. A infecção requer o contato inter-pessoal e acontece por meio de propágulos infectados. É mais fácil a sua transmissão nas comunidades, lugares recreativos e nas famílias. Seus representantes típicos são E. floccosum, T. mentagrophytes, T. rubrum, T. tonsurans (Seebacher et al., 2008). Na investigação clínica e na rotina laboratorial esses fungos assumem caráter relevante quando correlacionados aos agravos à saúde da população, como micoses superficiais, cutâneas, oportunistas e sistêmicas (Harvey et al., 2008). As dermatofitoses são exemplos disso, são micoses cutâneas, caracterizadas por manchas na pele que descamam e coçam, e que podem se tornar inflamadas e com secreção (Kaur et al., 2008). A característica patogênica dessas dermatofitoses são lesões na pele, couro cabeludo, unhas, e dependendo do agente causador e também do estado imunológico do paciente variam a gravidade e local de desenvolvimento da micose (de Berker, 2009). Baseado neste contexto, este estudo objetivou coletar os dados referentes à rotina do setor de micologia do laboratório de um hospital particular de médio porte, na cidade de Chapecó, localizada no oeste do estado de
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