Qualidade de vida do idoso: elaboração de um instrumento que privilegia sua opinião [thesis]

Sergio Marcio Pacheco Paschoal
Aos meus pais, Edson e Maria Ophelia, que me deram a vida e formaram meu caráter e personalidade. À minha esposa, Heico, companheira valorosa, com quem divido os prazeres e as agruras da vida. Aos meus filhos, Fábio e Carolina, a quem ajudei a dar a vida e duas das grandes razões do meu viver. À Ligia Py e à Tomiko Born, amigas estimadas, que lutam em prol da Gerontologia vida afora. Aos idosos, motivo do meu caminhar profissional, que muito me ensinam a respeito da vida. AGRADECIMENTOS ? Ao
more » ... fessor Júlio Litvoc, orientador e amigo, que me iluminou o caminho e deu qualidade ao meu trabalho. Sua dedicação e perspicácia renderam frutos. E renderão. Obrigado. ? Aos Professores Lilia Blima Schraiber, Paulo Rossi Menezes e Wilson Jacob Filho, integrantes da Comissão Examinadora do Exame de Qualificação, cujas críticas e sugestões enriqueceram o trabalho. ? Aos Professores Doutores Eurico Thomaz de Carvalho Filho, Matheus Papaléo Netto e Urbano Pasini, meus mestres de ilibada reputação e profunda sabedoria. A eles, meu respeito e gratidão por tudo que me ensinaram. ? Ao grande amigo, Wilson Jacob-Filho, companheiro de caminhada, cujo incentivo e estímulo constantes foram garantia de continuidade dos estudos. ? Aos colegas da Geriatria do Hospital das Clínicas, que muito me têm ensinado e, fraternalmente, compreenderam minha ausência, em muitos momentos. ? Aos residentes e estagiários do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas, de agora e de então, que, em seus questionamentos, sempre me estimularam a estudar temas tão importantes para os idosos, apesar de pouco-usuais. ? À Marta, ao Rubens e à da. Eunice, pelo apoio e amizade. ? À Maria Joaquina (Jô), Sofia Lobo e Eduardo Minomo, cujas entrevistas anteriores possibilitaram a seleção dos itens. E o trabalho foi voluntário! ? À equipe da Clínica Geronto-Geriátrica do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, que tanto contribuiu para que o Mestrado fosse possível, aceitando mudanças e se desdobrando na minha cobertura. ? À Miriam, profissional dedicada e competente, que, sempre gentil, garantiu o lay-out e a forma de apresentação do trabalho. ? Aos funcionários da Preventiva, Djanira, Dodô, Edileuza, Érica, seu Irineu, Ivaldo, Joca, da. Lourdes, Lúcia, Quitéria, Rosa e Zezé, que, com sua ajuda amiga e sorriso franco, tornaram mais fácil meu Mestrado. ? À minha querida família. Gratíssimo pela paciência, compreensão, carinho, suporte e espera. RESUMO PASCHOAL, S.M.P. Qualidade de Vida do Idoso: Elaboração de um instrumento que privilegia sua opinião. São Paulo, 2000. 252p. Dissertação (Mestrado) -Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. Viver cada vez mais, desejo da maioria das pessoas, pode resultar numa sobrevida marcada por incapacidades e dependência. O desafio é conseguir uma maior sobrevida, com uma qualidade de vida melhor. Para os profissionais de saúde, que atendem a população idosa, há outro desafio: como medir qualidade de vida, não apenas para fazer um retrato da velhice, mas, principalmente, para avaliar o impacto de tratamentos, condutas e políticas, corrigir seus rumos, alocar recursos e planejar serviços, visando sobrevida melhor. Historicamente, após a Segunda Guerra Mundial, qualidade de vida se tornou um constructo importante, significando melhoria do padrão de vida. Paulatinamente o conceito foi ampliado, englobando o desenvolvimento sócio-econômico e humano e a percepção das pessoas a respeito de suas vidas. Não há consenso sobre seu significado, existindo várias correntes de pensamento, complementares entre si. Além disso, no decorrer do tempo, a forma de avaliação se alterou, passando de uma avaliação baseada em parâmetros objetivos, ou idealizados pelo pesquisador, para outra que valoriza a percepção subjetiva das pessoas. A partir de 1975, avaliações de qualidade de vida vêm sendo gradualmente incorporadas às práticas do Setor Saúde. O número de instrumentos é enorme, poucos especificamente construídos para idosos. No Brasil, os estudos expandiram-se em 1992 e, ultimamente, observamos trabalhos mais consistentes, como tradução, adaptação transcultural e validação de questionários estrangeiros; estudos a respeito de qualidade de vida do idoso são mais raros. Fica evidente a conveniência de se criar um instrumento que meça a qualidade de vida de idosos, valorizando a opinião deles a respeito das questões que consideram importantes. Os objetivos deste trabalho foram: delinear procedimentos necessários, para elaborar instrumento de avaliação da qualidade de vida de idosos e definir, a partir de investigação preliminar, os itens que constituirão lista a ser utilizada em etapa futura para elaboração efetiva do instrumento. Para isto, assumiu-se como referência uma metodologia consagrada na literatura médica, adaptada a nossos propósitos. Na primeira etapa elaborouse lista preliminar de itens, testada através de investigação preliminar. Essa lista foi gerada a partir de três fontes: revisão das respostas a questionário anterior, revisão de outros instrumentos da literatura e nossa prática no atendimento. A investigação preliminar teve três fases, a primeira, espontânea, onde o entrevistado apontou itens por ele considerados relevantes para uma boa e má qualidade de vida, a segunda, estimulada, onde identificou a relevância dos demais itens da lista preliminar e, por fim, avaliou a importância (Likert) dos itens considerados relevantes. A análise dos procedimentos mostrou que a metodologia é viável. Entrevistou-se 19 idosos, nove homens e dez mulheres. As medianas encontradas foram: 82 minutos de duração da entrevista, variando de 56 a 118; 13 itens relatados espontaneamente, variando de 4 a 21; quatro itens não-entendidos, variando de 0 a 9; cinco itens excluídos, variando de 0 a 21. As recusas à participação foram de idosos dependentes; na verdade, recusa dos acompanhantes. Dois itens sugeridos na fase espontânea foram incorporados e se eliminou um item considerado redundante. Fez-se nova redação para onze itens não-compreendidos. Todos os itens excluídos serão mantidos para a próxima etapa. A escala de Likert necessitará de reformulação. Numa etapa posterior, a lista de itens, agora modificada, será reduzida através de duas técnicas, impacto clínico e análise fatorial. A distribuição dos itens resultantes em dimensões comporá o instrumento, cujo formato já está desenhado: Satisfação de Vida, Qualidade de Vida Idealizada e Qualidade de Vida Real.
doi:10.11606/d.5.2001.tde-09112001-162639 fatcat:dtti2f6stjbc5fxstlkyp64vle