A ação coletiva da classe patronal de Porto Alegre nas grandes greves da Primeira República (1917-1919)

César Augusto Bubolz Queirós
2013 Mundos do Trabalho  
Resumo: Este artigo tem o objetivo de analisar as estratégias utilizadas pela classe patronal de Porto Alegre nos embates com o movimento operário organizado e suas associações nas grandes greves da Primeira República. Pretendo demonstrar que esse período proporcionou um processo de tomada de ações coletivas e de um verdadeiro fazer-se da classe patronal, que passou a atuar de modo organizado nas negociações com os trabalhadores grevistas. palavras-chave: Patronato, Greves, Movimento Operário
more » ... ovimento Operário Abstract: This paper aims to analyze the strategies employed by the Porto Alegre's employer class during the Brazilian's First Republic period strikes. I intend to show that this period provided a process of taking collective action and make a real up the employer class, which began operating in an organized manner in the negotiations with the striking workers. Ao longo da Primeira República, os confrontos entre o patronato e a classe operária organizada no estado do Rio Grande do Sul foram uma constante. As pública, parecia que esses movimentos nunca se extinguiriam. 1 O patronato portoindustriais e manufatureiros), por sua vez, passou a adotar estratégias coletivas diante da erupção dessas mobilizações paredistas que teimavam em estourar na capital. Neste artigo, procurarei analisar as estratégias coletivas utilizadas pela classe patronal porto-alegrense para enfrentar o movimento operário organizado e suas associações durante as grandes greves da Primeira República. Darei ênfase à greve de 1919, em virtude de que, durante esse movimento paredista, ao contrário das greves de 1917 e 1918, a maioria das reivindicações dos sindicatos classistas foi dirigida ao patronato, transformando-o no principal interlocutor dos grevistas. * Doutor pela UFRGS Estratégias e Identidades: as relações entre governo estadual, patronato e trabalhadores nas grandes greves da Primeira República em Porto Alegre (1917-1919). Tese (Doutorado em História). Porto Alegre: UFRGS, 2012. http:/ /dx.doi.org/10.5007/1984-9222.2013v5n9p215 Revi sta Mundos do Trabalho | vol. 5 | n. 9 | janeiro-junho de 2013| p. 215-237 CÉSAR AUGUSTO BUBOLZ QUEIRÓS E internacional conturbado, as reivindicações foram dirigidas prioritariamente ao governo do estado. Tratava-se de uma disputa entre interesses evidentemente incompatíveis, durante a qual os patrões foram, gradativamente, organizando-se repertório este informado por uma longa tradição militante. Antes, contudo, vou procurar entender quem eram os patrões em Porto Alegre naquela conjuntura e em que ramos atuavam, considerando que "os empreestado, "o adversário e o interlocutor privilegiado dos grevistas". 2 pequenas empresas com baixo volume de capital investido". 7 Na mesma linha, a
doi:10.5007/1984-9222.2013v5n9p215 fatcat:fdvflggcyndozbl55bn3oqg3i4