Um memorialista e tanto

Afonso Henrique Fávero
2015 Pontos de Interrogação — Revista de Crítica Cultural  
A invasão linguístico-literária das ciências humanas -Vol. 1, n. 2, jul./dez. 2011 | 55 pontos de interrogação UM MEMORIALISTA E TANTO Prof. Dr. Afonso Henrique Fávero (UFS) Com a obra de Pedro Nava, o memorialismo brasileiro viria a conhecer seu momento mais vigoroso, mais comovente, mais cômico, mais admirável, mais completo -e o mais que possa ser -dentro da produção em tal gênero. Desde o seu aparecimento, a recepção crítica não teve dúvida de que ali estava o que de mais importante a
more » ... tura de memórias fora capaz de produzir em nossas letras. Porque era muito visível que nunca as possibilidades nesse campo alcançaram balizas tão avançadas, exploração tão exaustiva, adesão tão incomum à matéria recordada, linguagem tão sugestiva e envolvente. Os comentários favoráveis, com elogios enfáticos, tornaram-se mais que abundantes, e o entusiasmo generalizou-se. Por razões assim, sente-se logo que não é fácil abordar os extensos livros do autor em limites estreitos. A maior dificuldade estará sempre em oferecer uma idéia aproximada daquela infinidade de coisas que nos chegam de forma tão analítica, tão pormenorizada, tão sem preguiça, nas suas memórias copiosas. É certo que dificuldade análoga também existe com relação às obras de qualquer outro de nossos bons memorialistas. Nenhum deles, porém, alcançou com intensidade semelhante e variações múltiplas o mesmo empenho na reconstituição do passado que os seis volumes de Nava nos trazem. Daí a sensação de estarmos diante do ponto mais alto que o memorialismo brasileiro pôde atingir até então. Opinião, aliás, sem pretensão a nenhuma originalidade, simples de ser expressa, dada a frequência com que é emitida pelos bons leitores do autor. "Nossas letras produziram livros importantes no gênero:
doi:10.30620/p.i..v1i2.1524 fatcat:frbfss5g3fbpbowxzvzhduq3vm