Tratamento de pacientes portadores de olho cego doloroso por meio de bloqueio de gânglio estrelado

Tatiana Vaz Horta Xavier, Thiago Robis de Oliveira, Tereza Cristina Bandeira Silva Mendes
2016 Revista Brasileira de Anestesiologia  
Recebido em 18 de fevereiro de 2012; aceito em 11 de dezembro de 2012 Disponível na Internet em 18 de março de 2014 PALAVRAS-CHAVE Dor ocular; Manejo da dor; Bloqueio nervoso Resumo Justificativa e objetivos: o manejo da dor em olhos cegos dolorosos ainda é um desafio. Corticosteroides e hipotensores, bem como evisceração e enucleação, são algumas das estratégias até então empregadas, nem sempre eficazes e que, a depender da estratégia, causam um profundo abalo emocional no paciente. Dadas
more » ... aciente. Dadas essas questões, o objetivo deste relato de caso é demonstrar uma nova e viável opção para o manejo desse tipo de dor por meio do tratamento do olho cego doloroso com bloqueios de gânglio cervicotorácico, técnica nunca descrita na literatura para esse fim. Relato de caso: foram tratados seis pacientes portadores de olho cego doloroso, todos por glaucoma, nos quais a EVA (escala visual analógica para avaliação da dor em que 0 é ausência de dor e 10 é a maior dor já experimentada) variava de 7 a 10. Optou-se por sessões semanais de bloqueio de gânglio cervicotorácico com 4 mL de bupivacaína (0,5%) sem vasoconstritor e clonidina 1 mcg/Kg. Quatro pacientes apresentaram excelente resultado EVA, com variação entre 0 e 3, e dois permaneceram assintomáticos (EVA = 0), sem necessidade de medicação suplementar. Os outros dois usaram gabapentina 300 mg de 12 em 12 horas. Conclusão: atualmente, várias são as opções terapêuticas para o tratamento do olho cego doloroso, entre as quais se destacam os bloqueios retrobulbares com clorpromazina, álcool e fenol. No entanto, uma estratégia eficaz, com pequeno índice de complicações graves, não mutilante e que melhore a qualidade de vida do paciente é imprescindível. O bloqueio do gânglio cervicotorácico surge, pois, como uma opção comprovadamente viável e promissora para atender a essa demanda.
doi:10.1016/j.bjan.2012.12.009 fatcat:i4x7l6ziavaztgs3dif57aft24