Teoria da Mente: efeito da idade, do sexo e do uso de atores animados e inanimados na inferência de estados mentais

Antonio Roazzi, Suely de Melo Santana
1999 Psicologia: Reflexão e Crítica  
Resumo O estudo foi realizado com 72 crianças de NSE médio, entre quatro e cinco anos de idade, visando a investigar a idade de aquisição da habilidade das crianças para distinguirem seus próprios estados mentais e os estados mentais de outros e se a manifestação da habilidade, na tarefa de falsa crença, depende do ator envolvido -inanimado (boneca) versus animado (outras crianças). Os resultados indicaram não haver diferenças entre atores animados e inanimados e que é a partir de cinco anos de
more » ... ir de cinco anos de idade que as crianças começam a ter uma compreensão acerca dos estados mentais de outras pessoas, no tocante a falsa crença. Este último dado diverge dos obtidos em estudos anteriores, que encontraram esta capacidade já desenvolvida aos quatro anos de idade. Contrariamente à hipótese inatista e de acordo com os dados obtidos no Brasil (no que se refere às crianças de orfanato) nossos resultados revelam que a universalidade quanto à época em que se encontra desenvolvida esta capacidade é passível de ser questionada. Palavras-chave: Teoria da mente; meta-representação; contexto; diferenças sócio-culturais; habilidades cognitivas. Theory of Mind: the effect of age, sex and the use of animate and inanimate "actors" in inferring mental states Abstract The present study was carried out with 72 Brazilian children aged 4-5 years to determine: the acquisition age of children's ability to distinguish between their own mental states and the mental states of others, and whether this developmental acquisition depends on the type of actor involved -inanimate (doll) vs. animate (other child). The results showed that children began to understand other people's mental states from the age of five, at least regarding false beliefs. No significant difference between animate and inanimate actors was found. These data differ from previous findings that such abilities had already developed at the age of four. Contrary to the "inborn" hypothesis, defended by some researchers, and in agreement with other data obtained in Brazil (regarding orphanage children), our results suggest that the universality of the time of onset of this ability is questionable.
doi:10.1590/s0102-79721999000200005 fatcat:eo6bm3iiejcfthwatomvucmvfm