A revitalização da epopeia na afirmação da identidade de Timor Lorosae: d'Os Lusíadas, de Luís de Camões, a Mauberíadas, de Xanana Gusmão

Manuel Ferro
unpublished
Resumo: Há quase dois séculos que as vanguardas anunciam a morte da epopeia. Se na Europa é viável inclui-la no conjunto de géneros mortos, sem vitalidade, nem expressiva relevância desde o século XIX, o mesmo não se pode afirmar se forem tidas em linha de conta as literaturas de países que se foram gradualmente libertando do jugo colonialista e procuram construir a sua própria identidade nacional. Nesse sentido, e em tais contextos, a epopeia ainda é um género por excelência onde se põe à
more » ... onde se põe à prova o estro poético do autor, ao mesmo tempo que este se afirma como porta-voz de uma comunidade com quem partilha a mundivisão e respetivos valores. Nalguns casos concretos da lusofonia, a epopeia continua a ser um modo de afirmação das idiossincrasias dos povos que a integram. Não admira, por isso, que Os Lusíadas constituam uma referência, um paradigma, um modelo a seguir ou a contestar, e Luís de Camões seja o poeta maior, colocado acima mesmo dos grandes épicos da Antiguidade Clássica. Ora, nesse diálogo estabelecido entre as literaturas lusófonas, no caso mais recente verificado com a independência de Timor Lorosae, é igualmente através da epopeia, e seguindo o arquétipo da obra camoniana, uma vez mais, que a identidade da cultura maubere se exprime. Ainda antes da independência alcançada, antes até do domínio indonésio, Xanana Gusmão compõe Mauberíadas, e através desse poema heroico, de exaltação do seu povo e da sua cultura, acaba por ser premiado. Assim, é do profícuo diálogo de culturas, estabelecido especificamente entre os dois poetas, cujo objetivo foi em ambos os casos o de afirmar e divulgar ao mundo a grandeza, a coragem e identidade da sua pátria, que se revitaliza um género que há muito se tem vindo a considerar morto. Palavras-chave: Épica. Epopeia. Mauberíadas. Xanana Gusmão. Resumen: Hace casi dos siglos que las vanguardias anuncian la muerte de la epopeya. Si en Europa es viable incluirla en un conjunto de géneros muertos, sin vitalidad, ni expresiva relevancia desde el siglo XIX, lo mismo no se puede afirmar si
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