O PORTUGUÊS DOS SÉCULOS XV E XVI E O ESPANHOL ATUAL: SEMELHANÇAS ENVOLVENDO AS VOGAIS MÉDIAS DA SÍLABA ACENTUADA

Juliana Simões Fonte
2019 Lingüística  
Resumo Este artigo analisa rimas (mapeadas por Fonte 2014) do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e de Os Lusíadas de Camões que fornecem pistas sobre a pronúncia das vogais médias tônicas em Portugal dos séculos XV e XVI e sugerem semelhanças entre o sistema vocálico do português de antanho e o do espanhol atual. Ao interpretar rimas dos séculos referidos entre vogais médias (acentuadas) que, no português atual, apresentam timbres vocálicos diferentes, este artigo aventa a hipótese de não
more » ... a hipótese de não haver, no português do passado, assim como não há no espanhol atual, distinção fonológica entre vogais médias abertas e fechadas. De acordo com a interpretação fornecida por este artigo, eram recorrentes, no português dos séculos XV e XVI, variações na pronúncia das vogais médias tônicas das palavras. Com o passar dos séculos, algumas dessas variações teriam resultado em mudança, dando origem a pronúncias (não-etimológicas) vigentes no português atual. Palavras-chave: Vogais médias; Timbre vocálico; Variação; História da língua portuguesa Abstract This article analyzes rhymes (mapped by Fonte 2014) from Garcia de Resende's Cancioneiro Geral and from Camões' Os Lusíadas, which provide clues about the pronunciation of the stressed mid vowels in Portugal of the 15th and 16th centuries and suggest similarities between the old Portuguese vowel system and the current Spanish vowel system. In interpreting the rhymes of the mentioned centuries between (stressed) mid vowels that in current Portuguese present different timbres, this article offers the hypothesis of there is no, in old Portuguese, as there is no incurrent Spanish, phonological distinction between open and closed mid vowels. Lingüística 35 (1), Junio 2019 According to the interpretation provided by this article, variations in the pronunciation of the stressed mid vowels were usual in Portuguese of the 15th and 16th centuries. Over the centuries, some of these variations resulted in change, giving rise to some of the (non-etymological) pronunciations of current Portuguese.
doi:10.5935/2079-312x.20190005 fatcat:wku46zjyyvbi3mayrrgz2c5tc4