PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS PELA DIMINUIÇÃO DO DESEJO

Maria Do Amparo Rocha Caridade
2020 Revista Brasileira de Sexualidade Humana  
Anais do VII Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana. Rio de Janeiro, 1999, p. 138-9. "Hoje nada é menos seguro do que o sexo por trás da liberação de seu discurso. Hoje nada é menos seguro do que o desejo por trás da proliferação de suas figuras." Com essa afirmação BAUDRILLARD (1992), nos faz pensar que a pluralidade de discursos não garante a liberação da sexualidade, e que o desejo não se satisfaz no real, no consumo de corpos e imagens.Ele nos faz pensar também, que há um perigo, uma
more » ... rogenia talvez, nessa hiperprodução de sexo, de discursos, de hiperrealismo do gozo que a cultura vem promovendo. A hiper oferta de objetos sexuais constitui um desperdício, posto que o desejo só se sustenta na falta do objeto desejado. Se tudo é dado, revelado, tornado excessivamente real, que lugar resta ao desejo? Como funciona o desejo? Garcia Rosa (1991), articulando Freud, Lacan e Hegel, fala do desejo e o situa não na ordem do biológico, mas do pulsional, conceito intermediário que Freud postulou para articular o psíquico e o somático na questão desejante. A pulsão tem sua fonte no corpo, mas não se esgota aí. O desejo é remetido para o registro do imaginário. É o desejo como desejo de desejo, ou seja, o desejo humano é o desejo de outro desejo, é o desejo de possuir o desejo do outro, de ser desejado ou amado pelo outro, de ser reconhecido em seu valor humano . A ânsia de aprisionar o outro na relação, é a expressão dessa incerteza do desejo do outro. Ao desejo humano falta um objeto concreto que o satisfaça plenamente, razão porque seu destino não é satisfazer-se, mas permanecer desejando. Essa é uma característica da sexualidade humana. O corpo humano não é apenas da ordem do biológico, ele é também um corpo apossado pelo simbólico, e isso é que o torna pulsional. É enquanto corpo pulsional que o sujeito deseja, busca objetos para sua satisfação e quer permanecer desejando. O microprocessamento que se faz do desejo na cultura, essa constante administração do sexo via discursos, imagens ou farmacologia, é uma faca de dois gumes. Há atitudes, aprendizagens, técnicas, que conduzem a uma eficiência, não necessariamente à felicidade das pessoas. Felicidade é um sentimento do Eu. O sexual é sensação. O sexual é necessário, mas não suficiente. A sensação é pontual, o sentimento é perene. A felicidade é possível se Revista Brasileira de Sexualidade Humana
doi:10.35919/rbsh.v21i1.277 fatcat:pseuvot52jgedciihn4dfnvbsq