FORDISMO, FORDISMO PERIFÉRICO E METROPOLIZAÇÃO*

Alain Lipietz
unpublished
Fazemos um convite para uma reflexão sobre duas evoluções divergentes. Nos anos 1945-55, França e Itália-sob tutela das autoridades dos exércitos de libertação e, em seguida, dos órgãos de controle do Plano Marshall-apareciam como países quase subdesenvolvidos aos olhos dos especialistas norte-americanos (Boltanski, 1982). Um fluxo maciço de créditos e de doações permitiu que esses dois países se equipassem. "Missões de produtividade" enviadas aos Estados Unidos ensinaram as classes dirigentes
more » ... classes dirigentes a administrar um novo modelo de desenvolvimento capitahsta: o fordismo. Em cerca de 20 anos, as estruturas sociais e geográficas desses dois países foram completamente transformadas. A participação da população agrí-cola na população ativa francesa passou de 40% em 1945 para 15% em 1968 e para 9% em 1975. Nos anos 50, especialistas do planejamento regional prognostivamuma explosão da metrópole parisiense e, de forma secundária, de algumas outras grandes cidades que absorviam tradicionalmente o êxodo rural. Previa-se, para 1970, a opo-sição entre uma metrópole parisiense de 20 miUiões de habitantes e um "deserto francês". Nada disso ocorreu. O crescimento das grandes cidades e o êxodo rural cessa-ram desde 1975, e, no recenseamento de 1982, verificou-se que todas as aglomera-ções de mais de 30.000 habitantes tiveram sua população reduzida. A metrópole parisiense não chegou a ultrapassar oito milhões de habitantes em urbanização con-tínua. Esse fenômeno não é peculiar à França. A Itália, da mesma forma, não co-liheceu uma urbanização monstruosa, e o fenômeno também reverteu ali, desde o fim dos anos 60, em benefício de uma urbanização difusa. As duas megalópoles americanas (Nova lorque-Filadélfia e Los Angeles-São Diego) não chegaram verda-deiramente a se concretizar, e o crescimento impressionante de seus núcleos nunca se tomou explosivo. Os mais urbanizados países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) conseguiram sempre manter o domínio sobre Este artigo foi traduzido do francês-Fordisme, fordisme périphérique et metropolisation-por Ricardo Brinco. Economista e Pesquisador do Centre d'Études Prospectives d'Économie Matiiématique Apli-quées a Ia Planification (CEPREMAP), Paris.
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