Análise estratégica em saúde e gestão pela escuta

Cynthia Magluta
2004 Cadernos de Saúde Pública  
RESENHAS REVIEWS início da república; e o segundo, sob a administração de João Batista de Lacerda (1895Lacerda ( -1915. A busca por modernidade e visibilidade da instituição no meio científico pode ser considerada o elo comum entre esses dois períodos. Não se verificou uma posição monolítica da instituição em relação ao darwinismo, mas foi notada sua influência no direcionamento das pesquisas, a despeito de não ter sido aceito integralmente. O terceiro capítulo, elaborado por Heloisa Domingues
more » ... Heloisa Domingues & Magali Romero Sá centra-se, como o próprio título indica, nas controvérsias evolucionistas do século XIX, demonstrando a complexidade das opiniões sobre o tema em questão. O papel das análises craniométricas e os estudos de Lacerda e Rodrigues Peixoto são destacados como fortes argumentações antidarwinistas. As autoras ainda se debruçam sobre outros pesquisadores como o já citado Ladislau Netto, Miranda Azevedo, Sylvio Romero, entre outros, para a indicar a diversidade de opiniões sobre o darwinismo e os diferentes graus de assimilação dessas idéias no discurso de cada pesquisador. Como pode ser observado ainda no Capítulo 3, as análises craniométricas de materiais brasileiros não foram realizadas apenas em nosso solo. O próprio Imperador Pedro II enviou fósseis a estudiosos como Quatrefages e Virchow para que tecessem suas considerações sobre questões relativas à antiguidade e origem dos primeiros americanos. No Capítulo 4 temos a oportunidade de apreciar mais de perto as contribuições de um desses pesquisadores, o alemão Rudolf Virchow. Com maestria, Luis de Castro Faria apresenta-nos as investigações desse pesquisador em materiais oriundos de sambaquis de brasileiros, destacando o interesse exercido por tal tema e o importante papel desempenhado por seus colaboradores/coletores na transmissão das informações necessárias às análises. Trava-se contato não apenas com o pensamento do cientista, mas com um modo muito peculiar de fazer ciência, com base em peças selecionadas e relatórios remetidos de locais distantes, num exemplo claro do imperialismo científico citado por Glick, ainda na introdução. O quinto capítulo, de Thomas Glick, trata da atuação de Tehodosius Dobzhansky no Brasil, sob o patrocínio da Fundação Rockfeller, e o desenvolvimento da genética de populações em nosso país, demonstrando como a feliz combinação de pessoal qualificado, um programa adequado de pesquisas e um ambiente favorável aos estudos (fisicamente falando), pode ser importante para o desenvolvimento de todo um campo de investigação. A miscigenação e os desdobramentos da questão racial ganham destaque no sexto capítulo, de autoria de Lilia Moritz Schwarcz. Do pessimismo científico às idéias de branqueamento, passando pelas perspectivas elitizantes das escolas de direito e a questão da medicina legal, a autora transita pelos meandros dos discursos raciológicos do início do século XX, deixando claro como idéias evolucionistas foram utilizadas para manter o mito das diferenças raciais. O último capítulo discute as influências do darwinismo no positivismo brasileiro. Glick, ao centrar seu olhar sobre o grupo catarinense Idéia Nova -o qual teria atuado sobre a clara influência de Fritz Müller e posteriormente de Haeckel e Spencer -mos-tra a amplitude da penetração das idéias darwinistas em diferentes centros intelectuais do país. Em síntese, os trabalhos aqui apresentados cumprem, com eficiência, a tarefa de apresentar o mosaico complexo da repercussão do darwinismo entre os cientistas e intelectuais brasileiros através de um período de tempo relativamente extenso e marcado por profundas transformações culturais. O livro Análise Estratégica em Saúde e Gestão pela Escuta, de autoria de Francisco Javier Uribe Rivera, professor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz é uma abordagem do campo de planejamento e gestão de serviços de saúde. Os capítulos apresentam diversas ferramentas de análise organizacional e de gestão estratégica, ferramentas que visam a ampliar as possibilidades de que os diversos atores participem do processo de gestão e que se obtenha um serviço de saúde de maior qualidade, contribuindo para a construção do SUS. A compreensão destes temas é construída com profundidade, trata-se de uma leitura estimulante e que solicita toda atenção do leitor. Aqueles leitores, que tenham como objeto de trabalho a gestão de serviços de saúde e que assumem como desafio profissional compreender sua tarefa e seu papel de liderança, que buscam implementar estratégias que contribuam ao pleno desenvolvimento de seu serviço encontram neste livro uma leitura fundamental, quer seja pela qualidade da reflexão teórica apresentada como pelos exemplos de sua aplicação. Podem encontrar ainda analisadas situações críticas experimentadas no cotidiano dos serviços e da gestão, podendo ver consideradas novas alternativas para uma gestão mais eficaz. Apresenta uma reflexão teórica que integra a abordagem do Agir Comunicativo de Habermas e o Planejamento Estratégico Situacional em saúde, ressaltando em sua análise a perspectiva do planejamento como uma ferramenta que a organização lança mão em seu desenvolvimento para tornar-se uma organização dialógica ou comunicativa, ou seja, que se incorpore um conjunto de práticas que permitam uma gestão por compromissos, um modelo de gestão negociado, de ajustamento mútuo e comunicativo. Este tipo de abordagem está sendo referendada pela Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde (HumanizaSUS), que inclui a gestão participativa como uma das abordagens recomendadas pela política. O modelo analisado por Rivera considera e integra as características peculiares dos serviços de saúde como organizações profissionais. Apresenta e analisa a experiência francesa de gestão estratégica e de definição do projeto assistencial: a démarche stratégique. Este enfoque pretende auxiliar a tarefa gerencial, enfatizando que o serviço de
doi:10.1590/s0102-311x2004000600045 fatcat:36ouhjtfkjesxl66qf7tc7ob5e