ILUMINISMO E COERÇÃO

José N. Heck
2008 Philósophos : Revista de Filosofia  
RESUMO: A Doutrina do direito apenas nas últimas décadas voltou a merecer o interesse dos estudiosos da filosofia. O presente texto procura mostrar a filiação iluminista da ciência kantiana do direito. O artigo privilegia o caráter racional das concepções jurídicas do pensador alemão. Palavras-chave: Kant, faculdade de coagir, direito racional, filosofia do direito. Introdução A filosofia política moderna nasce acasalada com a coerção. Em Maquiavel (1469-1527) e em Hobbes (1588-1679) ela se
more » ... 88-1679) ela se encontra à flor da pele. Também Rousseau (1712-1778) só é um filósofo político, e não apenas um crítico cultural, porque se propõe a legitimar les fers que mantêm os homens agrilhoados, sem que para isso haja uma explicação natural satisfatória; 1 Hegel (1770-1831), por sua vez, não se conformou com tal estatuto da Modernidade. Sua noção de liberdade substancial é grega, em virtude de o ônus da prova da moderna quaestio iuris ficar com quem dele reivindica uma subjetividade autônoma. É a outra parte que deve justificar a linha que divide a fisionomia iluminista do homme civilisé e mantém um corte epistemológico entre as esferas da moral e do direito. Kant e a Revolução Francesa A posição de Kant (1724-1804), perante o confronto entre a força instituída e os meios violentos de sua superação, orienta-se na ILUMINISMO E COERÇÃO
doi:10.5216/phi.v7i1.3153 fatcat:hjaxso4lhrfi3ielrbw7syej5q