Ideologias: inventário crítico dum conceito (ii) PARTE II SOBRE O «TRABALHO IDEOLÓGICO» NA MATÉRIA SIGNIFICANTE DA LÍNGUA

Jose Pinto
Análise Social   unpublished
Concluímos da parte i deste trabalho1 que a problemática do materia-lismo histórico, apesar de se opor estruturalmente à da «acção humana», que, por idealista, não chega a constituir as ideologias em problema socio-lógico, não terá produzido ainda uma rede conceptual adequada a um conhecimento científico da «dimensão significativa» das sociedades. Ter em conta a especificidade de funcionamento do ideológico, que aliás associávamos ao domínio da produção social de sentido, é-dissemo-lo
more » ... issemo-lo também-uma das condições necessárias à construção duma teoria das ideologias. Se, através do conceito de prática ideológica, pudemos assinalar já alguns importantes elementos para uma análise do referido domínio, tentaremos restituir nesta parte n propostas teóricas várias que, remetendo directamente para a questão do modo de existência do ideológico na matéria significante da língua, nos permitam precisá-la e especificá-la. Situar-nos-emos para isso no contexto disciplinar das chamadas ciências da linguagem, tentando circunscrever, de forma adequada ao objectivo deste trabalho, os espaços conceptuais que, a propósito do problema da significação, aí se têm vindo a desenhar. L AS TÉCNICAS NÃO LINGUISTICAS E A LINGUÍSTICA ESTRU-TURAL NA ANÁLISE DAS SIGNIFICAÇÕES Convém não esquecer, entretanto, que a preocupação de analisar enun-ciados linguísticos de modo relativamente sistemático-frequentemente, aliás, com o objectivo de estudar as ideologias-coube, e cabe ainda hoje, a disciplinas do continente das ciências sociais, como a sociologia, a psicologia, a ciência política, a história, etc, teórica e institucionalmente divorciadas das ciências da linguagem. Mesmo sem pensar nos procedimentos classificados pelos manuais de metodologia das ciências sociais como técnicas clássicas de análise docu-1 Vd. «Ideologias: inventário critico dum conceito (I)», in Análise Social, xii, n.° 45, 1976, pp. 127-152. 97
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