ESTRUTURAÇÕES IDENTITÁRIAS NO ESPAÇO DE REPRESENTAÇÃO DO FUTEBOL

Fernando Rosseto Gallego Campos
2007 Revista Geografar  
O presente trabalho tem como objetivo discutir as estruturações identitárias produzidas no interior do espaço de representação do futebol. Ele foi elaborado a partir das formulações de Lefébvre (1991), Soja (1996) e Gil Filho (2003. Ele possibilita apreender o futebol não apenas como esporte, mas também como manifestação sócio-espacial e cultural, pois através da criação e circulação de representações socais (MOSCOVICI, 2004), o futebol está presente de forma significativa no cotidiano dos
more » ... cotidiano dos brasileiros, construindo uma instância da espacialidade própria. O espaço de representação do futebol é composto por diversos elementos, que se dividem em categorias centrais (fato futebolístico, prática social do futebol e poder), categorias de mediação (símbolo, mito moderno, discurso, identidade futebolística) e reinos (política institucional, ethos futebolístico e paixão/afetividade). A estruturação identitária -referida como identidade futebolística -configura-se como elemento fundamental na construção desta instância da espacialidade, estando intimamente ligada aos demais elementos. É extremamente complexa, pois assume diversas facetas, tais como a identidade clubística (ligada à paixão clubística) e a questão da construção de uma suposta identidade nacional. As discussões acerca das estruturações identitárias têm como ponto de partida as formulações de Hall (2005) sobre a identidade na pós-modernidade, bem como a socialidade, de Maffesoli (2005Maffesoli ( e 2006. Este defende a idéia de que a pósmodernidade pode ser caracterizada pelo retorno exacerbado do arcaísmo -acompanhado do tribalismo -e pela emergência da dimensão comunitária em contraponto ao indivíduoum conceito saturado. O paradigma moderno do social -individualista, racional e baseado no poder das organizações econômico-políticas -é substituído pelo paradigma da socialidade, baseado em um ethos comunitário, na massificação e na constituição de tribos afetuais. Assim, a identidade -fixa e estável -perde seu sentido. A lógica da socialidade é afetiva e a estruturação identitária baseia-se em questões simbólicas.
doi:10.5380/geografar.v2i1.8493 fatcat:xvtwt3upfjfjvnq5jrzo4674ga