De Gregório de Matos a Caetano Veloso e "Outras palavras": Barroquismo na música popular brasileira contemporânea

Charles A. Perrone
1984 Revista iberoamericana  
Durante um seminirio de cultura e literatura brasileira prornovido por umrna editora do Rio de Janeiro hi ji tres anos, um critico e professor conhecido, coordenador das atividades intelectuais naquela ocasiao, opinou que aplicar conceitos de po6tica a risica popular era >. O que o distinguido estudioso queria dizer, valendo-se de uma linguagemrn atual para dirigir-se a um audit6rio comnposto na sua maioria de jovens principiantes no estudo cultural, era que as cang6es compostas por artistas do
more » ... dia nao constituiam umr objeto est6tico digno de conside-rac3es por parte dos analistas s6rios dos fen8menos literarios. Replicandolhe emrn termnos igualmente atuais, se poderia tachar o sujeito em questao de <> ou de >. Considerando o temrna desde um Angulo mais , poderia dizer-se que tal assevera9ao mostra urnma atitude antiquada e pouca aberta as realidades esteticas do Brasil de hoje em dia. Enquanto este e inumrneriveis outros rnantem uma linha conservadora, fechada face is inovag5es do fazer artistico brasileiro e is digres-s6es do camrninho convencional, outras mrnentes, algumas hi ji quinze anos, reconhecem o valor estetico dos setores mais criativos da mnsica popular e trabalharn sobre seu corpus lirico. O poeta-critico Augusto de Campos, cuja atualidade e criatividade ji mostramrn sua solidez na pratica e polemica da poesia concreta dos anos cinqiienta, foi o primeiro a chamar a atenfo para os fen6menos poeticos inusitados do grupo baiano na decada dos sessenta. Em artigos que logo mais seriarn colecionados no volume Balanco da bossa 1, o perspicaz comentador da msica popular dava a en-
doi:10.5195/reviberoamer.1984.3862 fatcat:papnvwahyja3tkd5n6p4d2eche