NOTA CIENTÍFICA

Revista Brasileira De Biociências, Porto Alegre
unpublished
Introdução A composição química das sementes é definida geneticamente, podendo em alguns casos ser influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais a que foram submetidas às plantas que as originaram. As sementes apresentam composição química bastante variável e caracteriza-se por apresentar dois grupos de componentes químicos: os que ocorrem normalmente como constituintes em todos os tecidos da planta e aqueles que são materiais de reserva. Estes componentes são oriundos, por
more » ... ação, de elementos acumulados anteriormente em outras partes da planta ou através de fotossintetização, por ocasião de formação e desenvolvimento da semente [1]. A composição química tem grande importância porque as sementes são fontes de nutrientes para homens e animais. Deve-se ressaltar ainda que as reservas armazenadas na semente proporcionam nutrientes e energia necessária para as funções vitais da própria semente e para a plântula na fase de germinação [2]. O embrião requer açúcar para o seu desenvolvimento e para que seja armazenada para posterior utilização no processo da germinação. Os açúcares podem ainda regular os sinais que afetam a expressão de genes e, conseqüentemente, o desenvolvimento da planta [3]. As substâncias orgânicas são de fundamental importância na constituição das sementes, tanto no seu desenvolvimento como na sua utilização quer seja na alimentação humana ou para animais domésticos e ou selvagens, além de estarem diretamente relacionados com o potencial de conservação de sementes [4]. As sementes oleaginosas, como as de mamona (Ricinus communis L.-Euphorbiaceae), se destacam pelo elevado teor protéico que apresentam, podendo constituir fontes alternativas de proteínas para alimentação animal, além de participar em vários processos industriais [5]. O conhecimento da composição química é do interesse prático da Tecnologia de Sementes, porque tanto o vigor como o potencial de armazenamento de sementes são influenciados pelo teor das substâncias (proteínas, lipídios, proteínas, açúcares e amido) presentes. Outro aspecto importante diz respeito à relação entre composição química da semente e o gasto de energia necessário para a sua formação [6]. Apesar da importância que representam as informações sobre a composição química das sementes de espécies forrageiras nativas não se conhece muito sobre o assunto. Em virtude disso o objetivo deste trabalho foi determinar a composição química centesimal de três espécies do gênero Manihot (Manihot glaziovii Müll. Arg., M. pseudoglaziovii Pax & K. Hoffm, M. piauhyensis Ule), conhecidas popularmente como maniçobas. As maniçobas são plantas nativas da caatinga, que possui grande resistência a seca, devido principalmente, ao sistema de raízes tuberosas, bastante desenvolvidas, onde acumulam as suas reservas sólidas e água. Pode ser considerada como uma forrageira com alto grau de palatabilidade, por ser bastante procurada pelos animais (caprinos, ovinos, eqüinos e bovinos) de pastejo que sempre a consomem com avidez. Desempenham importante papel no cenário nordestino, especialmente na região semi-árida, onde é utilizada para manutenção dos rebanhos de animais domésticos por ocasião de secas prolongadas [7]. Suas folhas e extremidades verdes são forraginosas, bem como, as raspas das raízes secas ao sol se constituem excelente alimento para o gado, especialmente leiteiro. Segundo Corrêa [8], as sementes trituradas e secas são utilizadas na alimentação de suínos e outros animais.
fatcat:cfqompbjhzeepo555olwpr3voe