Gonadotropinas

Dionisio Maria Gonzalez Torres
1942 Revista de Medicina  
A influencia da hipófise sobre as gonadas observa-se nos síndromas clínicos da patologia hipofisária: a -na insuficiência hipofisária prepuberal ha falta de desenvolvimento sexual e dos caracteres sexuais: testículos atróficos ou ectópicos, bolsas pequenas, penis rudimentar, ausência de pelos axilares e pubianos, etc... b -na insuficiência hipofisária do indivíduo adulto (tumores destrutivos da hipófise, enfermidade de Simmonds, magreza hipofisária de von Bergmann) observam-se: na mulher:
more » ... ornos menstruais menstruações retardadas e escassas, amenorréia, frieza, atrofia mamaria, ovariana, etc. .. no homem: frieza, impotência, atrofia testicular etc. A injeção de extrato, ou o enxerto, podem restituir o estado normal, se a degeneração não é muito pronunciada. Tudo isso, em ambos os sexos alem dos transtornos metabólicos. E', porem a experiência animal, a que nos mostra resultados mais interessantes: Já CUSHING em .1910, e ASCHNER em 1912 descreveram que a hipofisectomia causava atrofia genital. A hipofisectomia prepuberal do animal determina, alem dos transtornos metabólicos é do crescimento falta de desenvolvimento sexual, os órgãos genitais í>ermanerem atrófiros" faltam os caracteres secundários, não ha ovulação nem espermatogenese etc... Na hipofisectomia post-puberai ha regressão de sexualidade: obiservam-se na fêmea repouso e atrofia do ovario, falta de ovulação e cio etc... I No macho: atrofia dos órgãos genitais, perda de ereção, etc... As experiências de SMITH (1924) demonstraram que a implantação da hipófise restitue a função sexual a animais hipofisectomizados. Este mesmo autor, e ENGLE (1927) , Aschheim e outros, provocaram amadurecimento precoce em animais inteiros por injeção de extrato de lóbulo anterior; EVANS E LONG em 1922 já haviam conseguido causar hiperluteinização em o vários de ratas por injeção de extrato de lóbulo anterior. Tudo isso estava demonstrando, a presença, na hipófise, de uma substancia que atuava, estimulando as gonadas, de uma substancia gonado--tropa; e em 1933 FEVOLD, HISAW E COLAB., e W. LAWRENCE em 1934 (1) Palestra na reunião mensal da Cad. de Neurologia (Prof. A. Tolosa) da Fac. .de Med. de S. Paulo, 6-XI-1941. REVISTA DE MEDICINA -28 FEVEREIRO 1942 demonstraram que são dois os fatores ganadotropicos hipofisáríos, conseguindo separá-los do extrato da hipófise, aproveitando a diferença de solubilidade na água; embora não separados puros, um dos fatores, muito solúvel na água, estimulava o ovário, provocando o crescimento e maturação dos foliados e no macho estimulava a linha seminal ou espermática, e chamou-se h. gonadotropo de maduração folicular, ou fator A, ou gonadoestimulina A, ou fator gametocinetico; ' .o outro fator, quase insoluvel na água, estimulava a luteinização do folículo maduro (células da granulosa e da teca), e no macho, as células intersticiais, e chamaram h. gonadotropo luteinizante, gonadoestimulina B, fator B. Este hormônio não produz luteinização quando não ha foliculos maduros no ovário; injetado depois dô fator A, produz-se a luteinização. Estes hormônios são polipéptidos, insoluveis no álcool absoluto, solúveis em grau variável na água, muito frágeis ao calor, ácidos e bases, e são destruídos pelos fermentos digestivos. Posteriormente EVANS e colab. (1934) e vários outros conseguiram também separar esses fatores partindo do extrato do lóbulo anterior e encontrando sempre um fator A, que nos animais hipofisectomizados estimula o crescimento e maturação folicular, e um fator Bde luteinização. Por outro lado, já ASCHHEIM E ZONDEK em 1928, haviam descoberto na urina da mulher grávida a presença de gonadotropina a que chamaram Prolan: injetando urina de mulher grávida em animai» fêmeas se determina um estímulo ovariano: crescimento folicular, maturação e luteinização. Sobre este principio está baseada a/reação de A. Z. e as outras derivadas, para o diagnostivo da gravidez. Muito se discutiu sobre a origem do Prolan: se era hipofisário ou corionico, placentario, até que ARON, COLLIP E PHILLIP desmonstraram que era de origem placentaría e não hipofisária, e BRINDEAU E HIN-GLAIS, que eram dois: Prolan A e B como as gonadoestimulinas hipofisárias. O Prolan A, de ação sobre a linha germinativa, folículo e linha espermática; Prolan B, estimulante dp tecido intersticíaV: células da teca e intersticiais do testículo. Apesar de não serem absolutamente idênticas ás gonadotropinas hipofisarias gozam cada fator por seu lado, das mesmas propriedades. Estes prolans se encontram em grande quantidade no sangue e na urina das grávidas, mas predominando na urina o fator B em forma quase exclusiva. Mais adiante veremos o porquê disto. Proseguindo nas investigações encontraram substancias gonadotropas em várias fontes: Já falamos de sangue e urina de mulher grávida; também em sangue de égua prenha (Cole e Hart em 1930) e de cavalos castrados, em sangue e urina de mulheres castradas (por qualquer meio) ou na menopausa (HAMBURGUER 1933, Leonard e Smith 1934) e mesmo certas amenorreias; no homem e na mulher (durante o ciclo menstruaL WERNER) durante a vida sexual; em certos tumores ovarianos e testiculares.
doi:10.11606/issn.1679-9836.v26i98p21-36 fatcat:qceklqfjpzbprfea442xc5dfpi