Reflexões sobre o processo criativo no documentário A caméra-stylo de Vicente F. Cecim

Alexandra Conceição, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Instituto de Artes, Programa de Pós-Graduação em Multimeios
2018 Doc On-Line: Revista Digital de Cinema Documentário  
Sobre o meu processo criativo Penso ser difícil falar sobre o meu processo criativo, por não saber exatamente como este surge. Ele não surge de uma epifania, de um momento em que recebo forças enigmáticas. Decido realizar alguma coisa, que pode ser um vídeo, um roteiro, um argumento, por exemplo, e passo a planejá-lo. Sem grandes elucubrações, apenas penso, imagino e tento ser realista e criativa ao mesmo tempo, por reconhecer as limitações que encontro no decorrer do processo. Minha formação
more » ... o. Minha formação acadêmica como administradora e advogada conferem uma característica mais objetiva ao meu processo e apesar de parecer uma desvantagem a uma realizadora de arte a alguns, considero uma característica pertinente, vez que não acredito que a obra de arte só pode ser concebida por meio da epifania, mas como exercício continuo. Por esse motivo observo certas semelhanças com meu processo e Eduardo Coutinho, realizador que usarei como referência, também usarei referências de Dziga Vertov, os escritos de Jacques Aumont, Marcius Freire, Ismail Xavier e Bill Nichols. Assim como Coutinho (2004: 8) não idealizo o artista, muito menos a mim, e cinema não é feito apenas de inspiração, também é fruto de muito "trabalho árduo, interação com o mundo e reflexão". Coutinho dissolve os mitos em torno da "arte"do documentário. Recusa-se a lhe atribuir uma aura ou identificar essa prática ao espírito iluminado de poucos privilegiados. Descomplica o processo de filmagem e insiste na ideia * Doutoranda.
doi:10.20287/doc.d24.ac01 fatcat:v742afjyjfamvl3m76bulbgdzu