O PROEJA E Os dEsAfiOs dA cOnstRuçãO dA fORmAçãO E dO cuRRículO intEgRAdO: EntRE A EmAnciPAçãO E A dEsEmAnciPAçãO

Maria Cláudia, Ferreira Gomes, Marcelo Silva
2016 unpublished
REsumO: Pretende-se analisar, neste artigo, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos/ PROEJA. Para tanto, buscou-se desenvolver uma análise da estrutura jurídico-política brasileira naquilo que diz respeito ao sistema educacional, materializado na forma dos Decretos voltados para a Formação Técnica e Profissional no Brasil no período de 1996 a 2006. Tratar-se-ia, portanto, de abordar as possíveis tendências
more » ... íveis tendências mercadológicas e ideológicas de uma "nova" política de Educação Profissional, visto que a ideia do PROEJA parece estar basicamente interligada aos interesses das classes dominantes e a fragmentação entre o saber acadêmico propedêutico e o saber tecnológico aligeirado, na medida em que aponta elementos e variáveis que reforçam o dualismo educacional histórico e estrutural do sistema educacional brasileiro, visto que em diversos momentos históricos não somente aprofundou, mas instituiu normativamente a cisão entre uma educação voltada as classes dominantes e outra as classes trabalhadoras e demais classes subalternas. Para entender os planos e programas de educação profissional do período histórico demarcado foi necessário compreender a manutenção de práticas do Decreto nº 2.208/97, bem como do Decreto nº 5.154/04. Sobre o PROEJA foram interpretados e discutidos artigos do Decreto nº 5.478/2005 e Decreto nº 5.840/2006. Tratar-se-ia, portanto, de um trabalho que buscou construir uma discussão teórica, a partir da análise de diversas fontes documentais, como forma de elucidar as questões acerca do objeto de estudo em questão. PAlAvRAs-chAvE: formação, currículo integrado, educação tecnológica, escola ativa. intROduçãO Discutir a questão educacional no Brasil, particularmente a questão da Educação de Jovens e Adultos, implica em discutirmos a particularidade da via de desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Portanto, trata-se de buscar estabelecer os nexos causais e reconstituir o fio vermelho da história, a partir dos quais se poderia compreender a relação institucional estabelecida entre o mundo do trabalho e o sistema educacional. Partir-se-á da concepção de que a via particular de desenvolvimento do capitalismo no Brasil fundamentou-se em um processo de revolução passiva (GRAMSCI, 2007), a partir do qual se constituiu um capitalismo hipertardio, dependente e subordinado ao capitalismo central, fundamentado em um tipo particular de Estado Autocrático incapaz de admitir qualquer nível de representação das organizações autônomas das classes trabalhadoras e demais classes subalternas (GRAMSCI, 2007). Nesse sentido, a representação só poderia se dar por organizações trabalhadoras subsumidas à estrutura
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