"O Divino" versus o Divino: o Marquês de Sade e a crítica à religião

Stefani Arrais Nogueira
2008 Revista Vernáculo  
século XVIII pode ser entendido, pelo menos na Europa, como o século das Luzes, do Iluminismo e, nessa perspectiva, a França tem sido considerada um dos seus mais importantes centros de produção cultural e do pensamento. Não obstante, é nesse ambiente que temos também o florescimento de um gênero literário que foi de suma importância na propagação dos valores iluministas para um público numericamente mais relevante. Aliás, é na escrita que se trafega o ideário iluminista, como explica Pierre
more » ... o explica Pierre Chaunu 1 , é através da escrita, em todas as suas formas, que se concretizam e se transmitem as idéias das Luzes. Dessa forma, nada mais natural do que vestir esse ideário de uma literatura que através da ficção a liberta dos rigores filosóficos. Falamos assim, da literatura libertina. No século XVII uma literatura libertina já começa a aparecer na cena cultural francesa. No seu conteúdo já podemos notar tanto uma descrença de credos religiosos, quanto uma estilização erótica e subversiva. O próprio "título" de libertino era dado àqueles escritores e pensadores que se manifestavam de forma contrária à moral religiosa. Todavia, mesmo que dotado dessa característica contestadora, é só no século seguinte, que a identidade do libertino vai se tornar mais fortemente anti-religiosa por vincular-se definitivamente ao ateísmo. Somado ao ateísmo dos libertinos do século XVIII, temos outra característica que irá marcar profundamente o seu
doi:10.5380/rv.v1i21/22.20817 fatcat:gyykorn4njfsnoqciqt2iprr6i