A Arte dos Improvisadores: a Busca da Estandardização na Música e nas Organizações A ARTE DOS IMPROVISADORES: A BUSCA DA ESTANDARDIZAÇÃO NA MÚSICA E NAS ORGANIZAÇÕES *

Miguel Pina E Cunha
unpublished
RESUMO século XX pode ser considerado, do ponto de vista das teorias da gestão e da organização, uma época de construção da previsibilidade. Algumas das mais im-portantes teorias elaboradas neste período, incluindo a organização científica do trabalho e a teoria burocrática, procuraram sistematizar o funcionamento da orga-nização e tornar o seu funcionamento pendular. A mesma tentativa de introduzir harmonia e previsibilidade num universo criativo previamente marcado pela espontaneidade e pela
more » ... mprovisação ocorrera, a partir de 1800, na música clássica, com a crescente aceitação da ideia do compositor como génio criativo e do sistema de copyright. Este trabalho discute o problema da (im)previsibilidade na música e na organização, destacando a necessidade de improvisação em organizações complexas, competindo em ambientes incertos e ambí-guos. ABSTRACT he 20th century may be viewed from the perspective of organization and management theory, as a time of predictability building. The major theories developed in this era, namely scientific management and the theory of bureaucracy, were fundamentally devoted to the creation of systematic organizations, i.e, organizations made according to a mechanistic functioning. The same attempt to introduce harmony and predictability in a creative universe previously marked by spontaneity and improvisation took place since 1800 in Western music, with the growing acceptance of the composer as a creative genius and the "copyright" system. This article discusses the construction of predictability in music and management, and its goals and limitations, namely the need to consider improvisation as a requirement in an organizational world characterized by uncertainty and ambiguity. O T * O título é uma homenagem ao grande músico de jazz Ornette Coleman, ele mesmo um praticante da improvisação como arte da descoberta e não como "estado excepcional". Este trabalho foi elabo-rado no âmbito de um projecto financiado por uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (POCTI/ GES/ 48967/ 2002). Agradeço os comentários e sugestões dos revisores anônimos e dos organizadores do número temático, que contribuíram para melhorar o texto.
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