A construção do ethos cristão nas polêmicas de Agostinho de Hipona [thesis]

Lucas Jorge de Freitas
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA SOCIAL Agradecimentos À minha orientadora Profª. Drª. Ana Paula Tavares Magalhães por toda a paciência, confiança e apoio. Sem estes, esta pesquisa não somente não seria possível, como não seria concluída. Em especial à minha esposa, Beatriz Bessornia, por sua compreensão, carinho e incansável apoio ao longo do período de elaboração deste trabalho. Seu apoio é o que permitiu que esta pesquisa se tornasse realidade. Ao meu amigo, interlocutor e parceiro Ivan
more » ... tor e parceiro Ivan Baycer Junior, minha referência na incursão pelo apaixonante estudo da retórica. Da mesma forma, minha referência quanto pesquisador e historiador. Aos meus revisores Lígia, Raquel e Luiz por toda a dedicação, esforço e tempo desprendidos. Aos meus amigos, palpiteiros e leitores eventuais, que também estiveram diretamente envolvidos neste longo processo, André Navajas Madio, Bruno Galeano, Agradeço, profundamente, duas pessoas que foram de suma importância em minha vida, mas que, infelizmente, já não se encontram mais neste mundo. Meus avôs, Jayme Jorge de Freitas, cujas frases -como: "faça o que fizer de sua vida, viva ela com lealdade, integridade e acima de tudo com inteligência" -sempre carregarei para resto da minha vida; e seu Roque Higino Bueno, exemplo de ser humano e personificação da paciência, humildade e perseverança. Resumo FREITAS, Lucas Jorge de. A Construção do Ethos Cristão nas Polêmicas Religiosas de Agostinho de Hipona. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2018. Nos séculos IV e V ocorreram contínuos esforços por uma unificação e homogenização do credo cristão, algo que provocou o embate e o confronto entre as diversas vertentes, cada qual arrogava para si o título de "verdadeiros cristãos" e imputando aos seus adversários a alcunha de "falsos cristãos". O ethos retórico cristão é constituído a partir da premissa de que haveria uma única Verdade, assim sendo, na medida em que ser cristão é, por definição, empreender a imitatio Christi, tentava-se determinar aquele que advoga por Cristo do dito herege. Em meio a estas intensas disputas retóricas, Agostinho de Hipona foi um dos autores de maior destaque, participando dos principais debates de sua época. O donatismo, o arianismo e o pelagianismo foram três dos seus principais adversários. Cada qual representando um diferente desafio, Agostinho necessitava responder e enfrentar estas vertentes na defesa do que ele acreditava ser a verdadeira via salvífica cristã. O donatismo foi considerado como um desdobramento das perseguições perpetradas por Diocleciano; estas teriam causado um cisma político e doutrinário, cindindo a Igreja cristã na África romana. O arianismo, uma dissidência trinitária e protagonista inconteste do século IV, defendia uma "hierarquia" dentro da Trindade e contestava sua própria definição. O pelagianismo, uma frequente preocupação de Agostinho nos seus últimos 20 anos, negava o conceito do pecado original e questionava papel da Graça divina na salvação. A partir da premissa de que o que estava realmente em jogo era a definição de qual das vertentes era verdadeiramente a portadora do legado de Cristo, a presente pesquisa procura comparar o processo de construção do ethos retórico destas três vertentes. Almeja-se, portanto, investigar o ethos retórico imputado por Agostinho aos seus adversários, cotejando os tratados polêmicos feitos pelo bispo de Hipona contra donatista, arianos e pelagianos.
doi:10.11606/t.8.2019.tde-03072019-171028 fatcat:rfwm7fqvrrgolna7jllqgkjpuu