MIL NOVECENTOS E MAIO

Francis Paula Correa Duarte
2016 EntreLetras  
as datas sempre serão uma incógnita, ao certo, todos nós ainda sabemos muito pouco sobre o tempo. vim para os seus braços num mil novecentos e maio... você saiu dos meus muito cedo. muito cedo. ainda lembro dos inúmeros cadernos pelas mesas, papéis que ditaram nossos caminhos pelos anos a fio... fio invisível. fio de Ariadne que nos uniu. as capas dos livros estão envelhecidas, as lembranças não. foram muitos mil novecentos e maio... muitos e ainda assim, poucos. as primeiras imagens. os
more » ... imagens. os primeiros sons. a parceria. o sentido. os camaradas. vi em seus olhos toda a dor, toda a força, todo o laço. passado. passo. descompasso. desconcerto. foi durante um mil novecentos e maio que sua voz cravou meu coração, fez sangrar tantas vezes. curou muitas outras mais. hoje, dos meus olhos jorram palavras que alguns julgam desespero. são apenas palavras que não juntam os pedaços. parecem estilhaços de vidro. cortantes e ainda deixo que se larguem pelo caminho torto que insisto em construir. as sensações perpassam os corpos. pulsam. gritam das bocas em guerra. todos os dias. e assim, seu nome permanece intacto. ainda vive.
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