A subordinação do trabalho docente à lógica do capital

Marina Pinto
unpublished
O ano de 1998 foi palco de uma das mais importantes greves do movi-mento sindical deste país no período recente. Os docentes das universidades federais protagonizaram a maior greve de sua história, tanto em tempo de duração quanto em amplitude, pois arrastou consigo todas as sessões sindi-cais do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Uma greve importante, também, porque dialogou com a popu-lação não só no que diz respeito a sua reivindicação mínima,
more » ... dicação mínima, referente às condições de trabalho, mas trazendo à cena o projeto alternativo do movi-mento para a universidade brasileira, autônoma, democrática, laica, pública e socialmente referenciada, que se insere em um projeto de sociedade pauta-do na democracia e justiça social. 1 Passado um ano desta greve, os efeitos do seu desfecho se evidenciam e se clarificam as alterações nas relações de trabalho advindas deste episó-dio, que não só alterou a organização do trabalho docente na universidade, como também repercutiu na subjetividade de seus trabalhadores. É destes aspectos que este artigo trata. As reivindicações deste movimento grevista diziam respeito a aumen-to salarial, concurso público para reposição de vagas, manutenção da univer-sidade pública e gratuita e defesa da autonomia universitária. Não foram necessários muitos dias de greve para que o salto na consciência se proces-sasse. Estavam em jogo dois projetos de universidade, distintos em essência, que se referenciavam em diferentes projetos de sociedade. Um, do Ministério 1 O que não quer dizer que o movimento não tenha apresentado limites objetivos. Esta foi uma greve que trouxe à tona o debate da unidade na luta. No mesmo período, a Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) entrara em greve e os estudantes, atro-pelando sua direção nacional encastelada na União Nacional dos Estudantes (UNE), também o fizeram. Apesar de inúmeras tentativas por parte destes dois segmentos, não foi possível de-senvolver-se um comando unificado ou negociações conjuntas dos três setores das universida-des, limitando-se o movimento à ações conjuntas, o que revela o quanto ainda é preciso avan-çar na organização sindical dos trabalhadores.
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