A PARTICIPAÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA NACIONAL NO SETOR ELÉTRICO GAÚCHO-UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA DAS MAIORES EMPRESAS (1887-1928)

Gunter Axt
unpublished
This paper recovers the History of the main private national investments into the Electric Energy Industry of the Rio Grande do Sul State Capital, since it was first installed, in 1887, until its incorporation, by foreign concessionaires, in 1928. An analysis was conducted in order to detail the different companies inserting them in the political-economical context of that period: its main purpose was to reveal the protection mechanisms and the obstacles to the regional/national private capital
more » ... nal private capital reproduction. Este artigo recupera a história dos principais investimentos do capital privado nacional na indústria de energia elétrica do Estado do Rio Grande do Sul, especialmente locados em sua capital, Porto Alegre, desde sua instalação, em 1887, até sua incorporação por concessionárias estrangeiras, em 1928. Procurou-se conduzir a análise de forma a detalhar as diferentes companhias então atuantes e sua inserção no contexto político-econômico do período em foco: seu propósito fundamental foi revelar, de um lado, os mecanismos de proteção governamental para com o setor, e, de outro, os obstáculos para a reprodução do capital privado regional/nacional. A produção e distribuição de energia elétrica no Rio Grande do Sul nem sempre foi apanágio dos poderes públicos. O governo estadual, com efeito, assumiu a dianteira no setor apenas a partir dos anos 1950, quando então a capacidade geradora instalada da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) ultrapassou a das companhias privadas 2. Antes da criação da Comissão Estadual de Energia Elétrica, em 1943, apenas as instalações, em Porto Alegre, Canoas e Pelotas, da maior empresa privada no ramo, ligada ao grupo norte-americano Amforp, representavam quase 44% da capacidade nominal total instalada, respondendo as mesmas por 70% de toda energia consumida no Estado. Os poderes públicos controlavam, então, não mais de 25% do parque gerador sul-rio-grandense 3. A iniciativa privada ocupou espaço dominante no setor por mais de 60 anos, desde o surgimento da indústria de eletricidade no Rio Grande do Sul em 1887, dentre os quais com a liderança por cerca de 40 anos do capital nacional. Em 1927, o Anuário Estatístico registrava o controle pela iniciativa privada de 70% do potencial gerador global no Estado, sendo que 75% dos investimentos provinham do capital nacional, de cujo total, 30% operando 47 instalações no interior e 70% investidos nas duas empresas da Capital. Ao todo, funcionavam no território gaúcho 86 usinas elétricas, 35 sob controle municipal, uma estadual e uma, em Pelotas, sob administração do capital estrangeiro. A iniciativa privada computava então o emprego de 757 dos 963 operários que trabalhavam no setor (78,6%). Os maiores estabelecimentos geradores de eletricidade eram controlados pelo capital privado, que investia predominantemente na termeletricidade (menos de 10% da energia total gerada provinha de fonte hídrica) 4 .
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