Turismo Cultural e as Divinas Caixeiras de Alcântara, Maranhão (MA), Brasil

Cristiane Mesquita Gomes, Saulo Ribeiro dos Santos
2019 Turismo e Sociedade  
A cidade de Alcântara (Maranhão) festeja anualmente o Divino Espírito Santo, sendo reconhecida pela peculiaridade de sua forma de saudar a divindade. O diferencial está associado à presença histórica, no local, de tradições que remontam à formação dos quilombos em seu entorno. Tanto os quilombos como a Festa do Divino, estão profundamente associados à própria história da cidade. As comunidades quilombolas, por sua vez, se distinguem entre si por suas tradições e historicidade, o que legitima
more » ... , o que legitima reconhecer a Festa do Divino, em Alcântara, como algo singular frente às demais no Estado do Maranhão. Entre os diferenciais está a participação das 'sacerdotisas do Divino Espírito Santo', também conhecidas como 'Caixeiras do Divino'. As Caixeiras têm no tambor o seu instrumento de identidade cultural e memória familiar. Elas, além de chefes de família e agricultoras, dedicam parte do seu tempo diário, ao longo do ano, à construção da Festa do Divino. Buscou-se então compreender como o turismo favorece o fortalecimento da identidade local das caixeiras do Divino Espírito Santo da cidade de Alcântara. A metodologia se baseia em levantamento bibliográfico e roda de conversa que sustentaram a investigação nas tessituras etnográficas, ao mergulhar-se na investigação sobre o modo de vida destas remanescentes de quilombo, quando da feitura da festa, preparativos, ensaios e momentos mais corriqueiros do dia a dia delas, na cidade de Alcântara. Os resultados apontam que as caixeiras são mais que símbolos da festa do Divino Espírito Santo, representam uma identidade cultural de base quilombola que a partir do fortalecimento do turismo cultural em Alcântara será possível disseminar e propagar este personagem como membro da cultura local, conforme destacaram diversos entrevistados. Conclui-se que o turismo cultural é uma possibilidade de valorização das caixeiras de acordo com o que se tem percebido nos últimos anos.
doi:10.5380/tes.v12i1.66516 fatcat:twzte4mgavbwva657r3qq6qqru