The woman and the use of alcohol [editorial]
A mulher e o uso de álcool

Maria Célia Mendes, José Renato Ferreira da Cunha, Antônio Alberto Nogueira
2011 Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia  
Editorial Introdução Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem demonstrado grande preocupação com o tema alcoolismo, e os investimentos em pesquisas e publicações, nessa área, vêm aumentando. As pesquisas sobre o alcoolismo feminino também têm sido incentivadas, tanto no que se refere às estatísticas sobre o consumo e as repercussões na saúde da mulher, quanto na gestação e as repercussões na saúde fetal, causando a Síndrome Fetal do Álcool (SFA). Sabe-se que as mulheres bebem menos
more » ... lheres bebem menos álcool e são menos propensas a manifestar certos fatores de risco e menos problemas relacionados ao uso de álcool do que os homens. Entretanto, as consequências do uso abusivo de álcool parecem ser mais negativas para as mulheres do que para os homens. Elas sofrem doenças físicas relacionadas com níveis mais baixos de exposição ao álcool do que eles e têm maior comprometimento cognitivo e motor, além de serem mais propensas a danos físicos e abuso sexual 1 . Muito do que se conhece sobre alcoolismo feminino foi adquirido por meio de pesquisas sobre alcoolismo masculino, e grande parte desse conhecimento veio de estudos comparativos com o alcoolismo do homem. Mais recentemente, estudos sobre o uso de álcool pela mulher têm sido publicados, sendo observado que o consumo vem se elevando nessa fatia da população. Em 2005, Room e Selin 2 publicaram uma pesquisa realizada em oito países (Argentina, Costa Rica, México, Sri Lanka, Índia, Uganda, Nigéria e Brasil), conduzida em São Paulo, por 12 meses. Esse estudo faz parte de um grande projeto da OMS, intitulado "Gênero, cultura e problemas relacionados ao álcool: um inquérito de saúde" (GENACIS 3 ), que avalia o consumo de álcool na população. As mulheres foram divididas em três grupos de acordo com a idade. No grupo com idade inferior a 30 anos, o consumo foi mais elevado na Argentina (88%) e no Sri Lanka (75%). No grupo de 30 a 49 anos, o maior consumo ocorreu na Argentina (75%) e no México (48%) e, no grupo com 50 anos ou mais, os consumos mais elevados ocorreram na Argentina (70%); no Brasil (47%) e em Uganda (46%). O consumo foi menor em mulheres do grupo <30 anos em Uganda (14%) e nos grupos 30 a 49 anos e >50 anos, os menores consumos foram observados na Índia (6; 7%) e Sri Lanka (7; 5%), respectivamente.
pmid:22267109 fatcat:sp4sp4br6jg5ljdxrn4dx3noka