PCR PARA DETECÇÃO DE STAPHYLOCOCCUS AUREUS ENTEROTOXIGÊNICOS EM QUEIJO MINAS FRESCAL*

Alim, Nutr, Araraquara
2012 unpublished
Federal de Pelotas -96010-900 -Pelotas -RS -Brasil. RESUMO: Staphylococcus aureus é um micro-organismo  patogênico frequentemente encontrado em leite e derivados lácteos. Sua identifi cação e a determinação de sua enterotoxigenicidade indicam o potencial para produção de enterotoxinas (EE), as quais, após pré-formadas e ingeridas com o alimento, podem causar intoxicação alimentar. Entretanto, os métodos tradicionais de isolamento e identifi cação, além de demorados, apenas inferem sua
more » ... nferem sua toxigenicidade. O objetivo deste estudo foi padronizar PCR para amplifi cação de genes de dez EE utilizando DNA de S. aureus extraído diretamente de queijo Minas Frescal artifi cialmente contaminado. Reações específi cas para os genes sea, seb, sec, sed, see, seg, sei, selj, selm e selo apresentaram sensibilidade ≥10 2 UFC de S. aureus por grama de queijo. Obteve-se amplifi cação com DNA extraído diretamente do queijo, sem necessidade de enriquecimento prévio da amostra, diminuindo o tempo total de análise. Com a PCR proposta neste estudo é possível detectar S. aureus enterotoxigênico em queijo Minas Frescal quando esse microrganismo encontrase em baixas concentrações celulares. PALAVRAS-CHAVE: Contaminação; alimento; entero- toxinas; bactéria patogênica. INTRODUÇÃO O gênero Staphylococcus é formado por 41 espécies e 24 subespécies. 8 Entre as bactérias desse gênero, Staphylococcus aureus é a mais relacionada a casos e a surtos de intoxicação alimentar devido à capacidade de grande parte de suas cepas produzirem enterotoxinas (EE), 6,28 as quais, após pré-formadas e ingeridas com o alimento, podem causar sintomas tais como náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia. 13, 18 Até o momento estão descritas e purifi cadas 22 EE, das quais dez já foram envolvidas em intoxicação alimentar (EEA, EEB, EEC 1 , EEC 2 , EEC 3 , EED, EEE, EEG, EEH e EEI). Embora as EE clássicas (EEA à EEE) sejam responsáveis por 95% dos surtos, 31 novas evidências sugerem que essa prevalência pode variar. Na Noruega, por exemplo, um estudo conduzido por Jorgensen et al. 13 demonstrou um surto de intoxicação alimentar estafi locócica por EEH. A intoxicação alimentar estafi locócica causada pela ingestão de derivados lácteos é comum, sendo frequentemente reportada. 4,9 Um dos fatores responsáveis é o fácil acesso de S. aureus ao leite, uma vez que esse microrganismo é o agente mais comum de mastite bovina. 5, 32 Embora os tratamentos térmicos comumente utilizados para sanitizar/conservar o leite assegurem a destruição das células vegetativas, estes não são sufi cientes para inativar as EE que, por sua vez, poderão causar intoxicação alimentar. Além disso, S. aureus pode ser veiculado ao leite pasteurizado, ou ao queijo, através de contaminação por meio de práticas defi cientes de higiene e manipulação e, uma vez presente nesses alimentos, pode se multiplicar e produzir EE. O queijo Minas Frescal é um alimento tradicional, muito apreciado e bastante consumido no Brasil. 24 Por ser um queijo semi-gordo e de muito alta umidade, 24 suas características podem favorecer a multiplicação de S. aureus, com consequente produção de EE. A pesquisa tradicional de estafi lococos nesse alimento é usualmente realizada por meio de métodos convencionais, baseados em semeadura em meios de cultura seletivo-diferencial, seguida de testes adicionais, tais como coagulase, catalase e termonuclease. 15 No entanto, a realização desses testes a partir das cepas isoladas de alimentos, além de não diferenciar S. aureus de outras espécies de estafi lococos capazes de produzir EE e de não identifi car cepas enterotoxigênicas, torna laboriosa a prática laboratorial, estendendo o tempo necessário para o diagnóstico. 29 Diversos trabalhos reportaram o uso da amplifi cação in vitro do DNA pela reação em cadeia da polimerase (PCR) para detecção de patógenos diretamente em alimentos. 2,7,10,23 Para S. aureus, a detecção e a genotipagem de genes de EE, a fi m de que sejam utilizados como marcadores genéticos, têm sido realizadas por uniplex-PCR, multiplex-PCR e, mais recentemente, por meio de sistemas de PCR em tempo real. 14, 19, 27, 30 Embora essas técnicas moleculares de diagnóstico permitam a obtenção de resultados rápidos, específi cos e sensíveis, quando comparadas àquelas tradicionalmente utilizadas para a detecção de S. aureus e de EE, sua efi cácia é dependente de um procedimento de extração que permita a recuperação de um DNA puro, o que nem sempre é possível, principalmente quando se ava-
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