Fios e tramas de miçangas: tecendo relações na Guiana Indígena [thesis]

Cecília de Santarém Azevedo de Oliveira
Resumo As peças feitas de miçangas estão presentes em muitas descrições etnográficas referentes aos povos indígenas das Guianas. Desde os primeiros relatos de viajantes europeus até os mais recentes projetos de valorização do patrimônio imaterial, confirma-se o enorme interesse desses povos pelas miçangas, que delas fazem múltiplos usos. Atravessando grandes distâncias tanto sob a forma de fios de contas quanto sob a de tramas tecidas com variados padrões iconográficos, as miçangas também são
more » ... çangas também são objetos significativos nas mitologias da região. A partir de revisão bibliográfica e de trabalho de campo na TI Parque do Tumucumaque -norte do Pará, esta pesquisa aborda as múltiplas formas de utilização das miçangas bem como as transformações que tanto as contas como os objetos feitos com elas operam. Palavras-chave: miçangas, corporalidade, redes, Tiriyó, Guianas. Abstract Objects made of beads are present in many Guyanese ethnographic descriptions. From the first reports of European travelers to the latest intangible heritage enhancement projects, the people of this region are frankly interested in glass beads and make multiple uses of them . Crossing great distances in the form of both bead strings and wefts with varying iconographic patterns, beads are also significant objects in the mythologies of the region. This research exposes multiple ways of using beads as well as the transformations that both the beads and the objects made with them take place, based on a review of available literature and fieldwork at TI Parque do Tumucumaque (northern Pará). Uma conta não faz colar Duas contas, o que é que dá? Três já dá pra enfeitar Quatro, então, faz melhorar Cinco é mistério a decifrar Seis, quando junta, fica lindo Eu e ela e ele e tu e nós e tudo (Trecho de Rosário de Contas, de Tita Reis) AGRADECIMENTOS A todas as pessoas tão queridas que não me fizeram desistir depois de tantas tentativas frustradas de passar na seleção do mestrado. E a todas aquelas que seguiram apoiando, de perto e de longe, esse processo tão intenso. 1 Ao Carimbó!! Flor de Jambu, Ykamiabas e tantas outras pessoas maravilhosas que trazem tanta energia para vida. Carimbó é tradição e resistência!! Ao Circo, alegria e seriedade, que nunca nos falte, e que sempre possamos espalhar por onde formos. Ao Sítio do Sobrado e todas as pessoas que insistem nas possibilidades desse mundo. À gentil equipe do Iepé, em especial do Programa Tumucumaque. Às boas surpresas do PPGAS, entre motins e brados de felicidade. À recepção no Museu Paraense Emílio Goeldi (espero que apenas o ínicio de uma relação). À minha família, tão querida e tão encorajadora, entre pilhas de caixas de miçangas e outras bagunças -a maior sorte dessa vida é ter nascido aqui. À Dominique Tilkin Gallois, a quem admiro profundamente em muitos âmbitos dessa vida, agradecimentos enormes pela orientação, pelo apoio, pelo carinho. À Denise Fajardo, por ser tão difícil imaginar como seria a vida sem ter chegado até o Tumucumaque sendo Denise ipëeto. Como orientadora de iniciação científica, como Nelise Carbonare, e tantas outras pessoas tão gentis que me deram tanta força e se permitiram encantar pelas miçangas do Tumucumaque. coordenadora no Programa Tumucumaque/Iepé, como banca de qualificação e banca de mestrado, como amiga e mulher de muita fibra -os agradecimentos nunca faltarão. À Lúcia van Velthem, que primeiro conheci por bibliografia, depois tive a honra de conhecer pessoalmente, e contar com importantes contribuições na qualificação e na defesa, além da inesquecível recepção em Belém e no Museu Paraense Emílio Goeldi. À Ana Yano, desde o primeiro semestre de graduação até a banca do mestrado, amiga pela qual nutro profunda admiração enquanto pessoa e enquanto antropóloga, sempre singela e precisa.
doi:10.11606/d.8.2020.tde-13052020-190232 fatcat:gcjpdeafdbhrxbtbbcyjt5wd6e