Relatório Final do Projeto "Janelas Curriculares de Educação Popular no Ensino Universitário" [report]

Bravo Nico
2016 unpublished
A UNIVERSIDADE As universidades são, como sempre foram, instituições incontornáveis, em qualquer sociedade, pelo passado que encerram, pelo presente que, diariamente, constroem e pelo futuro que, nelas, está contido, devido ao seu potencial inovador e criador. Sendo das mais antigas e resilientes instituições da humanidade, desde o século XIII -momento histórico do aparecimento das Universidades de Bolonha, Oxford e Paris (Charle & Verger, 1994:7) -as universidades sempre manifestaram uma
more » ... ifestaram uma evidente capacidade de adaptação às diferentes circunstâncias sociais, económicas, culturais e políticas, que têm caracterizado a história da humanidade, desde então (Nico, 2001). Chegaram, até aos nossos dias, em qualquer universidade, independentemente da sua dimensão ou especialização científica, funções, ideais, valores, convenções e práticas, que ligam as vidas das universidades da atualidade às das suas antecessoras do séc. XIII (OCDE, 1987:25). Nesta perspetiva, será uma evidência considerar que a Universidade é um dos mais valiosos patrimónios que nos terá sido legado pela Idade-Média, época onde a humanidade encontrou, na instituição universitária, uma forma extraordinária de criar, expressar e disseminar a cultura humana. Agora, tal como no passado, a Universidade, mais do que se assumir como um local onde se ensina, avalia ou certifica o conhecimento, é um sítio onde se estuda, aprende, cria e critica o conhecimento, ao mais alto nível (Queiró, 1995:16; Kelly, 1993:127). Distinguindo-se das restantes instituições onde se aprende, pelo facto de se caracterizar por ser uma comunidade de adultos, científica e pedagogicamente desigual, mas, socialmente, tendente a uma igualdade entre quem aprende e ensina (Perkin, 1970:234), a Universidade "só o será em plenitude se for cultural ou formativa, se for técnica, se for científica e se ligar ao meio social e simultaneamente deixar que este participe na sua própria vida" (Miller Guerra, 1970, cit. por Arroteia, 1996. É nesta coordenada cultural do que é a Universidade, que nos encontramos. Na realidade, a Universidade, enquanto instituição, não se esgota nas suas duas vertentes tradicionais de investigação e ensino. Hoje, mais do que nunca, as 7 Universidades assumem-se com um espaço e um tempo de vida, para muitos indivíduos, durante um período importante dos respetivos percursos vitais. Se partirmos do pressuposto que é na qualidade da frequência universitária que, muitas vezes, o indivíduo alicerça os seus projetos vitais, então facilmente concluiremos que, presentemente, a Universidade deverá assumir uma nova dimensão: a da vida presente; a dimensão do aqui e agora! Esta necessidade de promover uma reflexão séria sobre as funções atuais da Universidade é uma questão de extraordinária importância. A passagem do sistema universitário, de uma dimensão mais fechada e isolada da realidade exterior, para uma dimensão mais aberta e permeável às circunstâncias sociais em que a Universidade se encontra mergulhada, acarreta, inevitavelmente, o questionamento sobre o seu próprio funcionamento e as suas responsabilidades sociais e as suas funções presentes e futuras (Tavares, Santiago & Lencastre, 1999:107). Nunca, como hoje, esta reflexão se apresentou tão necessária. As questões básicas e elementares da teoria curricularporquê?; para quê?; o quê?; como?; com quem? -, que podemos agrupar no Grupo Técnico de Questões Curriculares, continuam tão atuais, na Universidade, quanto a urgente necessidade de esta repensar a sua coordenada social. Se é certo que a Universidade deverá continuar a concretizar a sua ancestral missão de disponibilizar a herança cultural da humanidade às novas geraçõesenriquecendo-a com o resultado da sua investigação, inovação e criatividadetambém não será menos evidente que, hoje mais do que nunca, há outra dimensão na sua missão: a que decorre da sua responsabilidade social, enquanto instituição qualificada e qualificante, perante os territórios em que se localiza e as comunidades locais com quem se relaciona. É nesta dimensão de responsabilidade social e de prestação de serviço à comunidade, que outras questões curriculares, bem mais críticas e desafiadoras, se podem e devem colocar: a favor do quê?; a favor de quem?; o quê de quem?; o onde de quem?.Questões que poderemos integrar no Grupo Axiológico e Moral de Questões Curriculares e que, sendo mais recentes, nos grandes debates da sociologia da educação e das teorias curriculares, nos remetem, inevitavelmente, para a Arroteia, J. (1996). O Ensino Superior em Portugal. Aveiro: Fundação João Jacinto de Magalhães.
doi:10.5935/ref.20160156 fatcat:efwstfxpy5h6telbd3mkm4eoge