O potencial teológico das histórias em quadrinhos: entrevista com Iuri Andréas Reblin

Iuri Andréas, Reblin Entrevista Concedida A Micael, Vier Behs
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Tendo a sua tese de doutorado aprovada com distinção no contexto do Programa de Pós-Graduação da EST, nesta entrevista o Prof. Dr. Iuri Andréas Reblin situa as histórias em quadrinhos como lugar profícuo para o debate de temas teológicos em diálogo com a superaventura. Popularizadas na década de 40 do século passado, as narrativas dos super-heróis foram, no início, interpretadas como uma ameaça aos valores aristocráticos na medida em que, enquanto cultura de massa, colocavam em xeque os
more » ... em xeque os parâmetros hegemônicos relacionados às produções culturais. Segundo Reblin, a vida do super-herói poder reunir tanto características humanas quanto divinas, situando-o como "uma paródia de nós mesmos", das nossas crenças, medos e valores. A tese sugere que a leitura atenta das superaventuras contribui para o debate em torno de questões caras à teologia latino-americana, tais como violência, direitos humanos e gênero. Também favorece o discernimento sobre questões relacionadas à teologia tradicional, tais como vida e morte, ressurreição e ética. Por fim, a superaventura adentra assuntos que se tornaram motivo de conflito e tensionamento entre o religioso e o secular, a exemplo de aborto, eutanásia e relação homoafetiva. Confira a entrevista completa de Iuri Andréas Reblin, atualmente inserido no quadro docente da Faculdades EST. Por que os quadrinhos, historicamente, foram desprezados pela comunidade acadêmica enquanto objeto de pesquisa? Devido a uma soma de fatores, na verdade. Durante a primeira metade do século passado, havia a compreensão de que a arte e a cultura (leia-se: a chamada cultura erudita ou alta cultura) e os valores aristocráticos estavam em risco por causa da ascensão da indústria cultural, da reprodução em série. Acreditava-se que as obras de arte, a música erudita não poderiam ser reproduzidas, consumidas e comercializadas em larga escala sob o perigo de se converter a arte em Kitsch. Os teóricos da Escola de Frankfurt, por exemplo, levantaram diversos questionamentos sobre o status das produções culturais diante da ascensão do contexto pós-Revolução Industrial e sugeriram, inclusive, como a cultura poderia ou deveria ser entendida nesse contexto. As Histórias em Quadrinhos surgem exatamente no meio disso como uma expressão artística desse novo cenário social. Com a explosão dos quadrinhos nas décadas de 1930, mas, especialmente, de 1940, os estudiosos voltaram sua atenção para o que estava acontecendo à sua volta. A repercussão e o consumo estrondoso dos quadrinhos levantaram questionamentos acerca da salubridade dessa leitura. E, para complicar a situação de vez, um renomado psiquiatra alemão, naturalizado estadunidense, chamado Fredric Wertham, afirmou que as histórias em quadrinhos
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