Três perspectivas em psicoterapia infantil: existencial, não diretiva e Gestalt-terapia

Cristine Mattar
2010 Contextos Clínicos  
Resumo. O artigo apresenta três perspectivas em psicoterapia infantil: a psicologia existencial, de acordo com as refl exões de Sören Kierkegaard, a proposta não diretiva de inspiração rogeriana e a perspectiva da Gestalt-terapia. As três possuem aproximações no que se referem às atitudes do psicoterapeuta e à opção pelo método fenomenológico, o qual visa apreender o sentido do brincar e de outras expressões da criança. Diferem, contudo, quanto à concepção do homem, já que a psicologia
more » ... psicologia existencial discorda de que haja neste uma tendência à totalidade ou de que ele seja regido por uma força que busca sempre o equilíbrio. A psicologia existencial vai pautar-se na estratégia de aproximação indireta e paciente que caracteriza a relação de ajuda defi nida por Kierkegaard, a qual permite nítida aproximação entre a fi losofi a e a psicologia clínica. No trabalho de Axline acerca da ludoterapia, destacamse as oito atitudes defi nidas como indispensáveis para a atuação do psicoterapeuta infantil. A suspensão de todo julgamento e a aceitação incondicional do modo de ser da criança, como quer que esta se apresente, fundamentam uma prática não diretiva que facilite a expressão dos sentimentos. A Gestaltterapia, por sua vez, vai propor técnicas e atitudes também com o objetivo de facilitar a autoexpressão dos sentimentos vivenciados pela criança e o desenvolvimento da awareness de si e do mundo. Dessa forma, este artigo apresenta as contribuições de três perspectivas fenomenológicas para aqueles que se propõem a atuar na prática da psicoterapia com crianças. Palavras-chave: psicoterapia infantil, psicologia humanista, psicologia existencial, Gestalt-terapia. Abstract. This article presents three methodological perspectives in children's psychotherapy: existential psychology, according to Kierkegaard's refl ections; the non-directive proposition, of Rogerian inspiration and Gestalt-therapy's perspective. The three perspectives show some proximity regarding the psychotherapist's aĴ itudes and the option for the phenomenological method, which aims at comprehending the sense of playing and other of the child's expressions. They diff er, however, in relation to the concept of men that will ground their practices, since existential psychology disagrees that there is in men a tendency to totality or a force always in search of balance, notions which are pertinent to the other two. Existential psychology will be guided by a strategy of patient and indirect approach, characterizing the aid relationship defi ned by Kierkegaard,
doi:10.4013/ctc.2010.32.01 fatcat:xltxizioxzblvb7lkrrc2y3bja