Ser uma psicanalista Lésbica: A historia de Dorothy Tiffany Burlingham, a "amiga de toda vida" de Anna Freud

Ligia Maria Durski
2019 Revista Brasileira de Estudos da Homocultura  
Resumo: A partir da biografia de Anna Freud -escrita pela psicanalista Elisabeth Youg-Bruehl, em 1992 -e de registros de sua relação com Dorothy Tiffany Burlingham, este artigo se configura em uma criação narrativa que contém dados considerados "reais", bem como dados considerados "ficcionais", sobre a relação entre essas duas mulheres. Partindo da consideração de um lugar específico frente aos marcadores de gênero e orientação sexual, faço referência a Anna e Dorothy como as primeiras
more » ... primeiras analistas lésbicas de quem temos registros na história da psicanálise para, então, pensar sobre se estes dois marcadores (mulher e lésbica) disparam ou não consequências, nuances, ações e reações no campo da teoria, da clínica, da formação e da transmissão em psicanálise. Tento, com essa fabulação, um diálogo com a história da psicanálise e com o dispositivo clínico na forma como o vivencio e interpreto, presentemente, na minha própria clínica e a partir desse lugar identitário específico que é "ser uma psicanalista lésbica". Palavras-chave: Psicanálise; Lesbianidades; Homofobia. Being a Lesbian Psychoanalist The story of Dorothy Tiffany Burlingham, Anna Freud's "lifelong friend". Abstract: From Anna Freud's biography -written by the psychoanalyst Elisabeth Youg-Bruehl, in 1992 -and from records of Anna's relationship with Dorothy Tiffany Burlingham, this article is a narrative creation that contains elements considered "real", as well as elements considered "fictional", about the relationship between these two women. First, will be considered a specific place of gender and sexual orientation markers to refer Anna and Dorothy as the first lesbian analysts of whom we have records in the history of psychoanalysis. Sequentially, I will think about whether these two markers (woman and lesbian) trigger consequences, nuances, actions and reactions in the theory, clinic, training and transmission in the field of psychoanalysis. With this fabulation, I try to dialogue with the history of psychoanalysis and with the clinical device in the way I experience and interpret it, at present, in my own clinic and from this specific identity that is "to be a lesbian psychoanalyst".
doi:10.31560/2595-3206.2019.8.10175 fatcat:nkyaa5lqijbhdezvo6b56d7yza