Mortalidade em recém-nascidos de baixo peso ao nascer: limites e desafios para o acesso universal

Mario J. Setumba, Manuel Simão, Maria Conceição M. Silva, Carmen Gracinda S. Scochi, Juliana C. Pina, Debora F. Mello
2018 Portuguese Journal of Public Health  
Palavras-Chave Recém-nascido · Baixo peso ao nascer · Mortalidade neonatal · Acesso à saúde · Equidade em saúde Resumo Objetivo: analisar a mortalidade neonatal de recém-nascidos angolanos de baixo peso ao nascer, os limites e desafios para a promoção do acesso à saúde no contexto local. Método: Estudo descritivo, retrospectivo, com base em dados secundários de 2,100 bebês de baixo peso ao nascer, a partir de registros hospitalares de 2007 a 2013, em Kuito-Angola. Resultados: No período, a
more » ... No período, a prevalência do baixo peso ao nascer foi de 7.5%, com 437 óbitos e 70.3% de mortalidade neonatal. Foram encontradas as seguintes informações maternas e dos recém-nascidos: idade menor que 19 anos, doenças durante a gestação e gestantes que não participaram satisfatoriamente de consultas no pré-natal, extremo baixo peso ao nascer, muito baixo peso, índice de Apgar menor que 6 e idade gestacional menor que 37 semanas, as quais são consonantes com condições de vulnerabilidades. Esses fatores e as dimensões a eles interrelacionadas podem aumentar a ocorrência da mortalidade neonatal e denotar dificuldades ao acesso à saúde. Conclusão: Há expressivo número de mortes evitáveis, relacionadas aos grupos reduzíveis por: ações de imunoprevenção, atenção à mulher na gestação, parto e ao recém-nascido, diagnóstico e tratamento adequados, e promoção da saúde. Os critérios de evitabilidade de óbitos em crianças oferecemuma ampla análise das condições sociais e dos serviços de saúde, levando-se em conta uma adequada atenção ao pré-natal, ao parto, ao nascimento e no seguimento longitudinal, em busca do acesso à saúde com equidade, intervenções profissionais qualificadas e gestão do cuidado integral à saúde. Abstract Objective: To analyze neonatal mortality of newborns with low birth weight from Angola and the limits of and challenges for the promotion of universal access to health in local context. Method: This is a descriptive retrospective study based on secondary data of hospital records of 2,100 low-birth-weight infants in Angola from 2007 to 2013. Results: During this period, the prevalence of lowbirth-weight infants was 7.5%, with 437 deaths, and 70.3% neonatal mortality. The following maternal and newborn characteristics were found: maternal age < 19 years, diseases during pregnancy, and low adherence to prenatal consultations, extreme low birth weight, very low birth weight, Apgar score of < 6, and gestational age < 37 weeks; all of which are consistent with conditions of social vulnerability. These factors and their interrelations can increase the occurrence of neonatal mortality and denote difficulties to access health. Conclusion: There is a significant number of preventable death which could be reduced in these groups by: vaccination actions, care for women during pregnancy, childbirth and newborn care, diagnosis, treatment, and health promotion. Death in these children could be avoided by a broad analysis of the social conditions and health services, taking into account adequate prenatal care, delivery, birth, and longitudinal follow-up, and searching for ways to access health with fairness, with qualified professional interventions, and the management of integral health care.
doi:10.1159/000493959 fatcat:igvqhkf3czcfjgzt3hctto33vy