NOTÍCIA DE UMA CLOACA SETECENTISTA

Teresa Soeiro
2000 Nova Série   unpublished
No mês de Janeiro de 2000, a Câmara Municipal de Penafiel realizou obras no interior do edifício em que se encontra instalada desde o século XVIII, procurando aumentar o espaço dispo-nível e corrigir algumas deficiências notórias. Para tal fim procedeu a escavações que permitiram instalar uma cave sob a área hoje utilizada para atendimento ao público, também ela profunda-mente reestruturada e agora assente em laje de betão. A referida escavação desceu a quota inferior à de grande parte dos
more » ... ande parte dos alicerces, tirando parti-do do considerável desnível existente entre os alçados principal e posterior do edifício. Neste último, uma porta rasgada no paramento passou a dar acesso directo à cave a partir da rua D. Faião Soares. Foi ao realizar o desmonte de terras de enchimento do alicerce que surgiu a cloaca setecentista que agora noticiamos. Para a contextualizar devemos ter presentes os marcos fun-damentais da história deste edifício. * A actual cidade de Penafiel era no início do século XVIII um lugar arruado e aberto que crescera tendo como eixo a estrada real de ligação entre a urbe portuense e o interior transmontano e duriense. A um dia de viagem da primeira, desenvolveu funções de mercado interregional, concentrando artífices e exercitando uma especial vocação para o terciário. O contínuo cresci-mento do núcleo urbano e a vontade de afirmação dos residentes levou-os a solicitar à coroa, em 1723 1 , a elevação do lugar à categoria de vila, com território e governo próprios. Como seria previsível, o Porto, em cujo termo estava integrado o julgado de Penafiel, resistiu e opôs-se tenazmente a esta amputação. Em 1741, Arrifana de Sousa alcança o seu desiderato, sendo elevada à categoria de vila, com um pequeníssimo termo, composto apenas pela própria freguesia de S. Martinho e a sua anexa de Santiago de Subarrifana, na parte pertencente ao julgado de Penafiel. Mas, apesar de pequena e, por isso, com poucos recursos, sendo vila via-se na obrigação de instalar câmara, justiças e cadeia, se possível em edifício próprio e condigno, símbolo de prestígio e da identidade superiormente reconhecida. Aqui começa a odisseia do edifício que nos interessa.
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