Educação e trabalho: requisitos do desenvolvimento e da sustentabilidade

Emília Maria da T. Prestes
2009 Revista Espaço do Currículo  
Resumo: O texto discuti a problematica da educação de pessoas jovens e adultos em suas relações com a educação, trabalho, desenvolvimento e sustentabilidade. Parte do pressuposto de que na contemporaneidade, apesar das exigências educacionais e de qualificação profissional, a alfabetização continua sendo um mecanismo de vital importância para o ingresso e preservação dos trabalhadores nos seus postos de trabalho, mesmo admitindo que a alfabetização por si mesma já não é mais suficiente para
more » ... suficiente para garantir a entrada e a permanência desse trabalhador no mercado de trabalho. Para confrontar esse enunciado com a realidade empírica considera histórias de vida e de trabalho de pessoas jovens e adultas, trabalhadoras de uma usina de açúcar localizada no município de Santa Rita, no estado da Paraíba. Palavras-Chave. 1) Relação entre alfabetização e trabalho; 2) relação entre educação, desenvolvimento e sustentabilidade; 3) educação de jovens e adultos. EDUCAÇÃO E TRABALHO: REQUISITOS DO DESENVOLVIMENTO E DA SUSTENTABILIDADE Emília Maria da T. Prestes 25 Após a V Conferência Internacional sobre Educação de Jovens e Adultos -A V CONFINTEA -celebradas em Hamburgo, Alemanha, no ano de 1977, representantes da América Latina e do Caribe consideraram a necessidade de priorizar políticas públicas relacionadas com a educação do jovem e do adulto para os projetos de desenvolvimento e sustentabilidade regional e a construção de uma sociedade mais justa. Para incentivar iniciativas governamentais e não governamentais das regiões, elaboraram um Plano de Ação contendo sete temas prioritários relacionadas com a educação dessas populações. Sem desconsiderar a importância dos sete temas 2 , para incentivar estratégias de melhoria da qualidade da educação para essa população tratarei de comentar os aspectos relativos a alfabetização, ao trabalho e a relação entre educação e o desenvolvimento local e sustentável. Constitui a minha intenção verificar o papel da alfabetização/escolarização e da qualificação para o trabalho, na melhoria das condições e qualidade de vida dos trabalhadores jovens e adultos -aqui concebida como desenvolvimento e sustentabilidade -colaborando para a discussão já estabelecida em diferentes setores da sociedade. A dúvida relacionada ao tema é: No contexto da reestruturação produtiva e da sociedade do conhecimento, que exigem altos níveis de formação educacional, a alfabetização é ainda capaz de contribuir com a garantia do trabalho e com a melhoria das condições e qualidade de vida (desenvolvimento e sustentabilidade) desses trabalhadores? Se afirmativo, como? Parto do pressuposto de que, na contemporaneidade, apesar das exigências educacionais e de qualificação profissional, a alfabetização continua sendo um mecanismo de vital importância para o ingresso e preservação dos trabalhadores nos seus postos de trabalho e para modificar itinerários de vidas, mesmo admitindo que a alfabetização por si mesma já não é mais suficiente para garantir a entrada e a permanência desse trabalhador no mercado de trabalho. Para confrontar esse enunciado com a realidade empírica, considero histórias Emília Maria da T. Prestes 26 educacionais e de trabalho de pessoas jovens e adultas, trabalhadoras de uma usina de açúcar localizada no município de Santa Rita, no estado da Paraíba. I -A educação de jovens e adultos no contexto das mudanças As mudanças operadas no mundo à partir dos anos de 1970, requerendo novas interpretações sobre a relação trabalho-educação e desenvolvimento e sustentabilidade, propipiciou novos olhares e políticas voltadas para as populações detentoras de baixos níveis de escolaridade e de qualificação. Uma das grandes questões desafiadora do mundo globalizado dos anos de 1990 era encontrar alternativas para atender os novos requisitos de desenvolvimento e da sustentabilidade postos em ação, considerando a quantidade de jovens e adultos desprovidos de escolarização e de qualificação e, portanto, impossibilitados de atender aos novos requisitos da produção. Com isso amplia-se as situações de exclusão social 3 , provocando instabilidade e inseguranças na sociedade, na ordem social estabelecida e nos indíviduos. No caso brasileiro, a constatação do Banco Mundial de que o "sustento dos trabalhadores na agricultura, na industria e nos serviços depende cada vez mais da aquisição de aptidões básicas como a alfabetização e as quatros operações" (Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial: l995, 42), batia de frente com uma realidade que na metade dos anos de 1990 apresentava cerca de 74 milhões da sua População Economicamente Ativa -PEA -com menos de quatro anos de estudos, sendo 30% analfabetos declarados ou funcionais. Foi neste período que o governo brasileiro, apoiando-se nas orientações da Conferência Mundial de Educação para Todos de 1990, na Declaração de Hamburgo -a V CONFINTEA -de 1997, e nas das diferentes comissões e organismos não governamental que atuam em rede de cooperação na América Latina e Caribe, começou a privilegiar a alfabetização e a educação de pessoas jovens e adultas como direito humano e como uma proposta central dos seus
doi:10.15687/rec.v2i1.3682 doaj:03e67192e6094e58a3bba5bfcafdae8b fatcat:vxdefko4svbbbnmjlo4lslq6ya