A Lei Seca e a ascensão do controle biopolítico estadunidense

Caio César Alves da Costa
2019 Revista Ingesta  
A pulsão pela alteração da consciência alcançada por meio do uso das mais diversas substâncias, incluindo o álcool, acompanha a humanidade desde seus tempos primordiais e exerceu – e ainda exerce – um papel central na formação do tecido social e na construção da cultura humana. Anteriormente, a economia desses usos era regida por valores religiosos e morais. No entanto, a partir da modernidade, temos como fruto da articulação e expansão do aparato estatal um aumento do controle biopolítico
more » ... le biopolítico sobre os cidadãos. A regulação de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos ascendeu apoiada em movimentos religiosos de temperança dinamizados pelo crescimento de uma classe média que tinha como preceito a autodisciplina visando à ascensão social; o movimento feminista, que fazia parte do movimento progressista da época; e o interesse de grandes empresários, como John Rockefeller e Henry Ford, os quais doaram milhões às organizações proibicionistas e eugenistas em busca de uma mão de obra mais eficiente e um maior controle da vida privada de seus empregados. É sobre essa temática que me debruço em minha pesquisa de iniciação científica com a finalidade de melhor compreender o contexto social e político que propiciou o surgimento de uma medida regulatória radical como o Vosltead Act, analisar a importância e centralidade do álcool na cultura das minorias sociais como imigrantes e afro-americanos e suas divergências com os valores protestantes, explicitar o aumento do poder policial do governo – tanto federal quanto estadual –, além de rastrear as possíveis continuidades das mudanças ocorridas durante a proibição na sociedade estadunidense. A metodologia utilizada para alcançar esses objetivos é uma revisão bibliográfica utilizando uma vasta gama de títulos sobre o tema – sendo sua grande maioria no idioma inglês –, tendo como obra basilar o livro The War On Alcohol: Prohibition And The Rise of The American State, de Lisa McGirr (2016). Com isso, pretendo realizar um mapeamento da historiografia já publicada sobre o tema, além de disponibilizar uma produção científica para os leitores de língua portuguesa, abrindo espaço para novos desdobramentos na área em questão.
doi:10.11606/issn.2596-3147.v1i2p128 fatcat:ly5zzmgoh5ctnhkgz3flz37jiy