Apego materno-fetal e indicadores emocionais em gestantes de baixo e alto risco: um estudo comparativo [thesis]

Fernanda Saviani Zeoti
Dedico este trabalho Às mães participantes desta pesquisa, por permitirem que eu conhecesse o que sentiam em um momento tão precioso de suas vidas. E a todas as mães que se alegram, mesmo nas adversidades, simplesmente pelo fato de serem mães. A meus pais, Nelson e Maíse, que jamais fraquejaram em seu projeto de fazerem o melhor por mim e a cada dia se esforçam em fazerem mais, amando-me, respeitando-me e me incentivando sempre. Eterno amor, gratidão e admiração. Louvo a Deus pela família que
more » ... e me deu. Ao meu marido, Flávio, que em momento algum me desamparou ou menosprezou os meus sonhos. Aliás, ele fez dos meus os nossos sonhos. Meu amor, meu agradecimento e meu orgulho. Agradecimentos A Deus, que até aqui tem-me sustentado! Por permitir que a vida sempre se renove na forma de uma criança, ensinando-nos a amar e respeitar o ser humano. À Bia, Profª Drª Eucia Beatriz Lopes Petean, minha orientadora querida, que há 10 anos vem-me ensinando, com paciência, dedicação e carinho, o amor à pesquisa e a seriedade no trabalho, permitindo que eu continue sempre compartilhando os mesmos sonhos seus. Aos meus familiares amados, os 'Leite', os 'Saviani' e os 'Silva' por tanto amor, que durante toda a vida me dedicaram e dedicam e por acreditarem sempre em mim. Aos do meu pequeno núcleo Zeoti, por me amarem como um deles e por me ensinarem ricas lições de perseverança e superação todo o tempo. Ao Prof. Dr. Francisco Mauad Filho que, com um carinho imenso, me abriu os braços e as portas de sua Escola, acreditando no meu trabalho. À Profª Drª Valéria Barbieri, presente em toda minha vida acadêmica, nos momentos mais importantes, sendo um exemplo que sempre seguirei, com certeza. Aos amigos Sebastiana, Marina, Rosângela e Tadeu, pois sem vocês este trabalho não chegaria ao papel. Aos meus amigos, todos eles, de todos os lugares... que todos os dias me animam e estimulam com sua torcida e admiração. Os amigos são uma preciosidade de Deus. Aos funcionários, professores e monitores da Escola de Ultra-Sonografia e Reciclagem Médica de Ribeirão Preto (EURP), que não me negaram atenção e carinho em qualquer momento. A todos os professores, técnicos e funcionários da FFCLRP-USP, que estiveram presentes na minha trajetória até aqui, pelo carinho e incentivo constantes. À CAPES, pelo apoio financeiro que tanto me ajudou no desenvolvimento da pesquisa. À USP, pelos anos de crescimento profissional e pessoal. RESUMO ZEOTI, F.S. Apego materno-fetal e indicadores emocionais em gestantes de baixo e alto risco: um estudo comparativo. 2011. 146 f. Tese (Doutorado) -Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. A gravidez é um evento que envolve adaptações físicas e emocionais na vida de qualquer gestante, sendo um período em que indicadores emocionais, como a ansiedade e a depressão, podem-se alterar. É também neste período que a vinculação da mãe com seu bebê, que vai nascer, começa a ser estabelecida. Esta vinculação, chamada de apego materno-fetal, é importante para a qualidade de todos os laços afetivos futuros de qualquer indivíduo. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar as possíveis diferenças nos comportamentos de apego materno-fetal apresentados por gestantes normais e com gravidez de risco. Para tanto, participaram desta pesquisa gestantes que realizaram exames ultrassonográficos na Escola de Ultra-Sonografia e Reciclagem Médica de Ribeirão Preto, sendo 25 com gravidez normal e 23 que apresentaram gravidez de risco. Entre estas, com gravidez de risco, quatro tiveram fetos malformados. Este estudo foi longitudinal e contou com três etapas de coleta de dados: a primeira, antes da realização do exame de ultrassonografia durante o segundo trimestre gestacional; a segunda, até dois meses após o exame e a terceira, até seis meses após o nascimento dos bebês. Utilizaram-se a Escala de Apego Materno-fetal, os Inventários de Ansiedade e Depressão de Beck e três roteiros de entrevista, um para cada fase de coleta, elaborados para atender aos objetivos desta pesquisa. Os dados obtidos foram analisados quantitativamente, de acordo com as normas estabelecidas de cada um deles, e os dados das entrevistas foram transcritos na íntegra e explorados a partir do sistema quantitativointerpretativo. Posteriormente, os dados foram correlacionados entre si, através de testes estatísticos não paramétricos. Assim, obteve-se que não há diferenças entre o apego maternofetal dos dois grupos estudados, sendo que este índice aumentou à medida que a gestação avançava, apresentando-se valores máximos desde antes da ultrassonografia, no segundo trimestre gestacional. O aumento do apego foi confirmado pelo relato das gestantes, ao demonstrarem a intensificação dos comportamentos que apresentavam em relação a seus bebês, conforme a gravidez evoluía e também depois do nascimento deles. Os índices de ansiedade e depressão mostraram-se mais elevados, durante todo o período pré-natal e também depois do nascimento, entre as participantes cujas gestações foram de risco, principalmente para aquelas que tiveram filhos malformados. Estas gestantes, especialmente, sofreram o impacto da notícia de uma malformação em seus filhos ainda intraútero e quando os mesmos nasceram, apresentando reações de choque, negação, tristeza e equilíbrio na busca por adaptação à situação que vivenciavam. Conclui-se que a gravidade da realidade vivida por estas mães implica em níveis mais elevados de ansiedade e depressão, porém, não impede a formação da relação de apego entre elas e seus filhos. Enfatiza-se, portanto, a necessidade de programas de saúde com profissionais especializados que visem a assistência pré-natal emocional a todas as gestantes, de um modo geral, e principalmente àquelas que apresentam condições adversas durante a gestação. Palavras-chave: Apego materno-fetal, gestação de risco, malformação fetal, indicadores emocionais. ABSTRACT ZEOTI, F.S. Maternal-fetal attachment and emotional indicators in low and high risk pregnancies: a comparative study. 2011. 146 f. Tese (Doutorado) -Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. Pregnancy is an event which involves physical and emotional adaptation in any pregnant woman's life. It is also a period in which emotional indicators, such as anxiety and depression, can be altered. Besides that, this is the period in which the mother and her unborn child begin to establish an attachment. This attachment, named maternal-fetal attachment, is important for the quality of all future affective bonds of any person. Therefore, the objective of this study is to find possible differences in the maternal-fetal attachment behaviour shown by normal pregnant women and the ones with risk pregnancies. For that, pregnant women who underwent ultrasound exams in the School of Ultrasound and Medical Recycling of Ribeirão Preto (Escola de Ultra-Sonografia e Reciclagem Médica de Ribeirão Preto) participated in this study. Of this group, 25 had normal pregnancies and 23 presented highrisk pregnancies. Among the latter, 4 had malformed fetuses. This is a longitudinal study, with three data collection phases: the first one was done before the ultrasound exam during the second gestational trimester; the second, up to two months after the exam and the third, up to six months after the children's birth. The Maternal-Fetal Attachment Scale, the Beck Anxiety and Depression Inventories and three interview scripts, one for each phase of the collection, specially designed to meet the objectives of this research, were used during the study. The information obtained was analysed quantitatively, according to each set of established rules and the data from the interviews were transcribed in full and explored using the quantitative-interpretative system. Posterior to that, the data was correlated through nonparametric static tests. It was, then, established that there are no differences between the maternal-fetal attachment of the two groups. The index, however, increased as the gestation progressed, with higher numbers since before the ultrasound, in the second gestational trimester. The growth of the attachment was confirmed by the pregnant women's report, when they showed the intensification of the behaviours which were presented in relation to their babies, as the pregnancies evolved and also after the babies' birth. The levels of anxiety and depression were higher during all prenatal period and also after birth, among the participants whose gestations were of higher risk, mainly for those who had malformed babies. These pregnant women, particularly, suffered the impact of the news of a malformation in their children still intrauterine and when these children were born, they still presented reactions of shock, denial, sadness and balance when trying to adapt to their new situation. To conclude, the seriousness of the reality lived by these mothers implicate in higher levels of anxiety and depression, although it does not prevent the formation of an attachment relationship between them and their children. It is emphasised, therefore, the need of health programmes with specialised professionals which aim at emotional prenatal assistance to all pregnant women, in general, and mainly to those who go through adverse conditions during pregnancy.
doi:10.11606/t.59.2011.tde-21102013-154637 fatcat:za6vfv27vbbq3amgbw3y25wife