Estação Literária DÃO-LALALÃO: REGIONAL E PÓS-MODERNO

Seleste Michels Da Rosa
2008 unpublished
Resumo: Analisaremos o conto Dão-Lalalão (ROSA, 1995), de Guimarães Rosa, composição calca-da em fabulações contínuas, típicas da fala do sertão mineiro. Essa estrutura mostra originalidade, revelando sua marca própria: a oralidade; mas esse contar, que parece espontâneo, revela ten-dências regionalistas e pós-modernas. O ambiente é regional e as personagens intrinsecamente ligadas a ele. Contudo, o nó-o conflito do protagonista-e o narrador-polifônico-são próprios do pós-modernismo. A
more » ... ernismo. A aparência de perfeição dessas personagens-visto que são ajustadas ao seu mundo de valores-se desconstrói, enquanto o texto se aprofunda na psicologia dos perso-nagens; mostrando seus medos e suas desconfianças, enfim sua humanidade. Palavras-chave: Regionalismo, pós-modernismo, oralidade, inovações lingüísticas, narrador. Abstract: We are going to analyze "Dão-Lalalão" written by Guimarães Rosa, a composition based on continuous fabulations, typical of the speeches from people from northwest part of Minas Gerais state. This structure shows originality, reveling its own mark: the orality; but it tells which seems to be spontaneous revels regionalists and postmodern tendencies. The environment is regional and the characters are deeply linked to it. However, the Knot-main character conflict-and the narrator-polyphonic-are characteristics of postmodernism. The appearance of perfection in these characters-since they are adjusted to their world of values-is dismantled while the text goes deeper into the presentation, showing their fears and distrusts. They are like any human, in any place in the world. O texto se apresenta regional pelo mundo onde está inserido e, principalmente, pela cons-tituição dos valores dos personagens, por trazerem em sua concepção de mundo valores pró-prios de um mundo rural específico, o sertão mineiro. Ele é tão específico, tão próprio da iden-tidade desse local, que atinge o humano, a formação humana em sua organização social. E é por isso que atinge o universal: a essência da humanidade. São ressaltados no comportamento do personagem seus valores, e esses valores são os próprios do meio rural. O protagonista é dependente e por isso atrelado à natureza, Soropita está em perfeita harmonia com o meio natural que o cerca, seus conflitos advém dos códigos sociais vigentes nesse espaço. Entre-tanto, os códigos morais estão atrelados a espaços sociais, que muitas vezes se confundem a espaços geográficos e o lugar onde o protagonista vive possui um código de valores mais fechado, diferentemente da cidade onde cada indivíduo constrói, dentro de parâmetros mais amplos, sua própria moral.
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