Artigo Original AUTOMEDICAÇÃO INFANTIL: CONHECIMENTO E MOTIVAÇÃO DOS PAIS

Nepomuceno Santos, Matos Dos, Freitas, Ronilson Ferreira, Eduardo, Anna Maly De Leão, Neves
2015 Revista Multitexto   unpublished
RESUMO O objetivo do estudo foi avaliar o conhecimento e a motivação dos pais ou responsáveis na prática da automedicação dos seus filhos e as classes farmacológicas mais utilizadas. Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa. Os dados foram coletados através de questionário com questões objetivas aplicadas para 60 pais com filhos menores de 12 anos de idade. O estudo foi dividido em dois grupos: 30 pais ou responsáveis com plano de assistência médica, e 30 pais ou
more » ... pais ou responsáveis que dependem do SUS. A automedicação infantil pelos pais foi de 87%, sendo que 42% afirmaram ser motivados pelo fácil acesso aos medicamentos nas dro-garias, enquanto 26% optaram por essa prática pela indisponibilidade do atendimento médico no serviço público de saúde. Quanto à dosagem correta dos medicamentos, 48% dos pais buscam essa informação nas bulas. A classe farmacológica mais utilizada foi a dos analgésicos, 83%, e xaropes para tosse, 75%. Em relação aos riscos e efeitos adversos, 63% afirmam possuir conhe-cimento e 94% dos responsáveis negaram casos de intoxicações por automedicação. Conforme a elevada automedicação infantil, percebe-se a importância de medidas preventivas junto aos pais para a conscientização dessa prática, visto que esse ato é inevitável. Palavras-chave: Automedicação. Crianças. Medicamentos. Pais. INTRODUÇÃO A automedicação é a prática do uso de medicamentos sem orientação profissional ou prescrição médica, em que o indivíduo ou seu responsável decide por conta própria-ou por influência de pessoa não habilitada-o medi-camento que melhor se encaixa para aliviar os sintomas (FREITAS et al., 2013). Já a autome-dicação orientada consiste na reutilização de prescrições médicas antigas, em que as mes-mas não foram prescritas para uso contínuo (CANCELIER, KUBO, PIZZOL, 2006). A automedicação responsável é reconheci-da pela Organização Mundial de Saúde e apli-case quando a criança possui um diagnóstico médico anterior do sintoma e o responsável obtém informações necessárias acerca do me-dicamento isento de prescrição médica, mini-mizando assim a demanda no Sistema Único de Saúde (MARTINS et al., 2011; SOUZA et al., 2010). A prática da automedicação equivale a 35% do consumo dos medicamentos. Essa por-centagem independe de classe social e justi-fica-se pela acessibilidade dos medicamentos vendidos em drogarias sem receita médica e pela indisponibilidade do atendimento médico no Sistema Único de Saúde (CELLA, ALMEIDA, 2012). Os responsáveis, principalmente as mães, geralmente pessoa mais próxima e que passa mais tempo com a criança, adquirem o hábi-to da automedicação por querer uma solução imediata para o problema. Vale ressaltar que independentemente da classe farmacológica, o medicamento utilizado de forma incorreta tor-na-se um veneno para a criança, podendo oca-sionar reações adversas, atrasar o diagnóstico de doenças graves e impulsionar a resistência bacteriana. Outro costume típico dos respon-sáveis é interromper o tratamento quando ob-servado melhora no quadro clínico da criança, o que pode acarretar agravo da patologia (UR-BANO et al., 2010). Entre as patologias/sintomas mais comuns entre crianças, que levam seus pais a adminis-trar medicamentos isentos de prescrição mé-dica, estão a febre, inflamação de garganta e resfriados, ficando então os analgésicos e anti-térmicos como as drogas mais consumidas por crianças. Doenças crônicas ou patologias mais
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