Vivências da sexualidade na adolescência e seus impactos sobre a relação dos (as)adolescentes com a escola

Lívia Correia Horta
2019 Brazilian Journal of Development  
RESUMO O artigo apresenta uma revisão teórica referente aos aspectos em relação a vivência da sexualidade na adolescência, os impactos da gravidez, a maternidade, e/ou o aborto no período de escolarização. Ao fomentar discussões a respeito da adolescência, gravidez, maternidade, e/ou aborto, reforça-se processos por meio dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, competências e habilidades voltadas para a conscientização destes indivíduos. A
more » ... uisa bibliográfica evidenciou que é preciso repensar o ensino da sexualidade, assim como a temática do aborto e gravidez, em todos os níveis de ensino, de modo a dar suporte aos profissionais e familiares e aos próprios adolescentes, na contextualização e atualização de informações a respeito desses assuntos, pois, são debates essenciais para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Palavras-chave: Adolescência. Sexualidade. Escola. Cidadania. ABSTRACT The article presents a theoretical review regarding the aspects related to the experience of sexuality in adolescence, the impacts of pregnancy, maternity, paternity and / or abortion during schooling. By fostering discussions about adolescence, pregnancy, maternity, paternity and / or abortion, processes are reinforced through which individuals and collectives build social values, knowledge, attitudes, skills and abilities aimed at raising children's awareness and girls. The bibliographical research evidenced that it is necessary to rethink the teaching of sexuality, as well as the abortion and paternity themes, at all levels of education, in order to support professionals and families and adolescents themselves, in contextualizing and updating information to respect to these subjects, therefore, are essential debates for the formation of critical and conscious citizens. A sexualidade "constitui-se numa dimensão fundamental em todo ciclo de vida de homens e mulheres, a qual envolve práticas e desejos ligados à satisfação, à afetividade, ao prazer, aos sentimentos, ao exercício da liberdade e à saúde" (MACEDO et al., 2013, p. 104). De acordo com Vilar (2012) a sexualidade é uma realidade biológica. Porém, nossa identidade sexual e a nossa identidade de gênero são constituídas socialmente, por intermédio dos contextos sociais, históricos, pelas ideias e pelos papéis que são socialmente veiculados pelos micro e macros contextos da nossa socialização. A vivência da sexualidade em situações de risco ligadas à pobreza, gravidez indesejada, transmissões de infecções e/ou ISTs e violência sexual, impacta a vida escolar dos adolescentes, especialmente entre os mais pobres, provocando evasão escolar, baixo rendimento escolar, dentre outros problemas. A gravidez na adolescência leva esses indivíduos a ingressarem na vida adulta, mesmo não estando preparadas psicologicamente, e são forçadas a mudarem completamente seu modo de vida. Essa é uma temática que é tratada como um problema de saúde pública no Brasil, que pode ser gerado em virtude da falta de educação sexual, do planejamento familiar e do uso errôneo de métodos contraceptivos (SILVA et al., 2013) . Assim, considerando a importância da vivência da sexualidade no período da adolescência a UNESCO (2018) aponta que "em algumas partes do mundo, reporta-se que duas a cada três meninas não têm ideia do que está acontecendo com elas quando começam a menstruar, e intercorrências por conta de gravidez ou parto são a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos". Entretanto, mudanças nas políticas públicas que atendem adolescentes e jovens podem criar condições menos adversas para que os adolescentes de camadas mais desfavorecidas venham investir mais o seu vínculo com a escola e o seu desenvolvimento social. A esse respeito Bertolini (2015) ressalta que: Assim, percebe-se a necessidade de informações aos adolescentes bem como uma educação sexual trabalhada tanto em serviços de saúde quanto educacionais. Programas educativos nas escolas ainda são escassos e primam pela manutenção da biologização do sexo, em detrimento aos demais aspectos a serem considerados. Nossa educação, enquanto educadores e familiares deve-se dar na medida em que adotamos atitudes positivas aos esclarecimentos sobre sexualidade (BERTOLINI, 2015, p.35).
doi:10.34117/bjdv5n10-097 fatcat:zs7qi373mjhsljqftf7s2pvgqm