Espiritualidade e bioética: o lugar da transcendência horizontal do ponto de vista de um bioeticista laico e agnóstico
Spirituality and bioethics: the place of horizontal transcendence from the point of view of a lay bioeticista and agnostic

Fermin Roland Schramm
2007 O Mundo da Saúde  
RESUMO: No texto apresentado, pretende-se abordar, de forma introdutória, a questão complexa e polêmica do sentido da espiritualidade em ética num mundo secularizado e "globalizado". Em particular, pretende-se mostrar qual é, ou poderia ser, o lugar reservado à espiritualidade na forma de ética aplicada conhecida como bioética, num mundo cada vez mais consciente de sua contingência e historicidade, mas, ao mesmo tempo, percorrido por anseios de vários tipos relativos ao desejo e à frustração, à
more » ... o e à frustração, à vida e à morte, à corporeidade e ao sofrimento, às relações intersubjetivas, à relação com a alteridade e com a divindade, à salvação e à perdição, dentre outros, e que remetem, de alguma forma, àquilo que podemos chamar, genericamente, de transcendência. O texto pretende, também, fornecer uma espécie de mapa sobre algumas questões, teóricas e práticas, relacionadas à questão da transcendência, a qual deve ser melhor definida, distinguindo uma transcendência vertical e uma transcendência horizontal. A primeira é uma transcendência stricto sensu, defendida, por exemplo, pelo cristianismo; a segunda é uma transcendência defendida, por exemplo, pelo existencialismo e o humanismo ateus contemporâneos e que deveria ser caracterizada, mais corretamente, como uma forma do imanentismo, mas que pode, ao mesmo tempo, recuperar um aspecto da primeira quando associa o conceito de Homem ao conceito de Deus na expressão Homem-Deus (Ferry, 1996) . Esta é, de fato, uma reformulação da simbologia cristã da Cruz, que indica, em substância, a possibilidade de um encontro entre os domínios do sagrado e do profano, mas sem priorizar lexicalmente o primeiro e invertendo o sentido da hifenização representada pelo conceito de "Deus feito homem" simbolizado pela figura do Jesus cristão. PALAVRAS-CHAVE: Espiritualidade. Humanismo. Transcendência. ABSTRACT: In this text, I intend to approach, in an introductory way, the complex and controversial question of the sense of spirituality in ethics in a secularized and "globalized" world. In particular, I intend to show which is, or could be, the place reserved for spirituality in the form of applied ethics known as bioethics, in a world ever more conscious of its contingency and historicity, but at the same time full of several different yearnings relative to desire and frustration, life and death, corporeity and suffering, intersubjective relationships, relationship with otherness and deity, salvation and perdition, amongst others, and that refer in some way to what we can call, generically, transcendence. The text intends also to supply a sort of map on some questions, practical and theoretical, related to the question of transcendence, which must be better defined, distinguishing a vertical transcendence from a horizontal transcendence. The first one is a stricto sensu transcendence, defended, for example, by Christianity; the second is a transcendence defended, for example, by contemporary atheistic existentialism and humanism and that would have to be characterized more correctly as a form of immanentism, but that can, at the same time, rescue an aspect of the first one when it associates the concept of Man to the concept of God in the expression God-Man (Ferry, 1996). This is, in fact, a reformulation of the Christian symbology of the cross, which indicates, substantially, the possibility of a meeting between the domains of the sacred and the profane, but without lexically prioritizing the first one and inverting the direction of the hyphenation represented for the concept of "God-turned-man" symbolized by the figure of the Christian Jesus. KEYWORDS: Spirituality. Humanism. Transcendence. RESUMEN: En este texto, me prepongo acercar, de una manera introductoria, la compleja y polémica cuestión del sentido de la espiritualidad en la ética en un mundo secularizado y "globalizado". En detalle, me propongo demostrar cuál es, o podría ser, el lugar reservado para la espiritualidad en la forma de ética aplicada conocida como bioética, en un mundo siempre más consciente de su contingencia e historicidad, pero simultáneamente lleno de varios y diversos deseos vivos y frustraciones en relación con la vida y la muerte, la corporeidad y el sufrimiento, las relaciones intersubjectivas, la relación con la alteridad y la divinidad, la salvación y la perdición, entre otros, que se refieren de una cierta manera a lo que podemos llamar, genéricamente, trascendencia. El texto se propone también proveer una clase de mapa acerca de algunas preguntas, prácticas y teóricas, relacionadas a la cuestión de la trascendencia, que debe ser definida mejor, se distinguiendo una trascendencia vertical y una trascendencia horizontal. La primera es una trascendencia stricto sensu, defendida, por ejemplo, por el cristianismo; la segunda es un trascendencia defendida, por ejemplo, por el existencialismo y el humanismo ateos contemporáneos, que tendría que ser caracterizada más correctamente como una forma de inmanentismo, pero que puede, en el mismo tiempo, rescatar un aspecto de la primera cuando asocia el concepto del hombre al concepto de Dios en la expresión Dios-Hombre (Ferry, 1996) . Esto es, de hecho, una reformulación del símbolo cristiano de la cruz, que indica, substancialmente, la posibilidad de una reunión entre los dominios del sagrado y el profano, pero sin dar la prioridad a la primera e invertir la dirección de la inscripción con guión representada por el concepto del "Dios-hecho-hombre" simbolizado por la figura del Jesús cristiano.
doi:10.15343/0104-7809.200731.2.2 fatcat:sqvwuwmqdjhwhahexqrhmkayde