Experiências e contribuições no campo da infância e adolescência

Elisabete Ferreira Mângia, Maria Inês Britto Brunello
2006 Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo  
É com satisfação que apresentamos aos leitores este número especial dedicado à área de infância e adolescência, e mais especialmente ao percurso do trabalho desenvolvido pelo Espaço Lúdico Terapêutico do Laboratório de Estudos sobre Deficiência e Cotidiano do Curso de Terapia Ocupacional da USP, em seus 10 anos de atividades voltadas para o acompanhamento de crianças e adolescentes, o ensino e a pesquisa no campo da deficiência mental e distúrbios afetivos. O questionamento e o confronto das
more » ... o confronto das formas tradicionais de relação com a deficiência, os processos de desinstitucionalização, a consciência sobre a necessidade de reconhecimento do direito à diferença, impulsionam e alimentam a invenção de novas instituições e práticas como as aqui relatadas. O deslocamento do olhar da deficiência para a pessoa em seu contexto e de acordo com suas necessidades, complexifica as exigências do cuidar e trás para todos os sujeitos envolvidos a oportunidade de protagonizar a transformação da velha cultura reabilitativa, excludente e normativa por excelência. Nas últimas décadas, a terapia ocupacional vem sendo desafiada a inovar, transformar e produzir novas respostas para as populações vulnerabilizadas pela deficiência e pelo estigma a ela atribuído. Podemos dizer que nesse percurso encontramos aquilo que hoje convencionamos chamar de "Boas Práticas" e que o nosso campo profissional tem sido alimentado pelo desenvolvimento de projetos e experiências que, embora ainda não hegemônicas, tem respondido concomitantemente aos desafios éticos e técnicos colocados pela construção do direito à saúde e a vida como princípio orientador das ações assistenciais. Neste volume, o leitor poderá percorrer alguns caminhos práticos e teóricos que além de nos estimular a um fazer e a um pensar diferente, no campo específico das ações voltadas para crianças e adolescentes, propicia a reflexão mais ampla sobre a tendência atualmente desenvolvida pela terapia ocupacional que, inserida nos processos de desinstitucionalização, tem se orientado por um ideário comum que se caracteriza pela produção de projetos terapêuticos participativos e integrados na vida cotidiana das pessoas. (1) Docentes do Curso de Gradução em Terapia Ocupacional da FMUSP. Endereço para correspondência:
doi:10.11606/issn.2238-6149.v17i1pi-i fatcat:pgh3udea2jgsnnwk6c5tsmupbi